admin – Brasil das Aves
Author: admin

O novo Wikiaves

Os números são impressionantes: em dez anos, mais de 2 milhões e seiscentas mil fotos, mais de 30 mil usuários registrados no site (os visitantes únicos por mês contam-se às centenas de milhares) e um papel essencial não só para a observação de aves, mas também para a ornitologia no Brasil. Sem exagero, o Wikiaves redesenhou o mapa de distribuição de várias espécies, assim como abriu as portas no país para a ciência cidadã – cada usuário que posta uma foto ou som dá sua contribuição para o entendimentos das aves, de seu comportamento, distribuição e hábitos migratórios. Isso sem contar o grande número de fotos espetaculares que ele revelou ao Brasil (e ao mundo) ao longo desse tempo.

Estabelecido como um porto seguro onde a ciência e a observação de aves se encontram, o Wikiaves acaba de mudar para melhor. A essência é a mesma, mas o visual recebeu uma bela turbinada, com algumas alterações também no que chamamos de UX (user experience, ou experiência do usuário). A mais importante delas, a meu ver é estrutural e inclusiva: o site agora é responsivo, ou seja, adapta automaticamente o layout para funcionar bem não só em computadores, mas também em celulares e tablets. O mundo hoje é móvel, e essa alteração faz todo o sentido nos novos tempos. Cada vez mais gente só acessa a internet a partir de dispositivos móveis. E, como a cobertura de internet móvel abrange cada vez mais área, é possível usar o site mesmo durante algumas passarinhadas – algo incrível.

Outra alteração que chama a atenção é colocar entre os últimos registros tanto fotos quanto sons. Aliás, os sons ganharam uma ficha onde aparece o sonograma (gráfico que representa a frequência sonora). As fotos também ganharam formato de ficha, o que no celular faz ainda mais sentido. Enfim, pra não estragar (mais) a surpresa, vai lá ver: www.wikiaves.com.br. Está demais, sei que você vai gostar.

Os fonogramas agora ficam junto com as fotos, entre os últimos registros. Foto: reprodução.

O sabiá da cidade

A primavera chega. E os sabiás urbanos estão com tudo, cantando às 3h da manhã. Este ano minha resposta aos reclamões  vem em forma de música. “O Sabiá da Cidade” é uma parceria minha com o compositor paulistano Sonekka. E ganhou vida na voz e nas violas do cracaço de bola Zebeto Correa.

A letra:

O sabiá da cidade
Cantando na luz da lua
Tá querendo companhia
Porque a vida anda vazia
Sem cor, sem graça, sem nada

O sabiá da cidade
Vive no olho da rua
Toma a noite pelo dia
Dorme quando não devia
Acorda na madrugada

O que o sabiá não sabe:
Eu também canto baixinho
Se de noite, a saudade
Invade meu caminho

O que o sabiá não sabe:
Eu também conheço a dor
De ser sozinho

10 apresentações imperdíveis no Avistar 2018

Observador de aves em ação: Avistar 2018 reúne birders do Brasil todo. Foto: Zé Edu.

O Avistar você já conhece – a feira que reúne a turma da observação de aves ocupa o Instituto Butantan, em São Paulo, sempre no mês de maio. Em 2018, palestras, workshops, brincadeiras para as crianças, saídas de observação na mata, exposição de produtos e destinos, happenings e happy-hours começam no dia 18 (sexta) pela manhã e vão até o apagar das luzes do domingo, dia 20. Passando os olhos pela programação, não é difícil ver que este ano será especial. Há muitas apresentações interessantes, algumas delas ocorrendo ao mesmo tempo, até. Aí embaixo há uma listinha pessoal de 10 palestras legais (entre muitas outras que também não pretendo perder). É uma forma de chamar a sua atenção para a necessidade de se programar – vale dar um pulo no site do Avistar, fazer a inscrição e preparar sua própria lista. Vambora?

  1. Merlin Photo ID – Jessie Barry. Sexta, 11h40, aud01.
  2. Ciência cidadã – conceito, aplicações – Wagner Nogueira. Sexta, 14h40, aud01.
  3. Segredos da camera-trap – Juliana Kleinsorge. Sexta, 16h, aud02.
  4. Turismo e bem-estar animal – Roberto Vieto. Sexta, 16h20, aud02.
  5. Birding fora do Brasil – Marcelo Barreiros. Sábado, 10h20, cdc01.
  6. Nomes vernáculos das aves brasileiras – Luiz Fernando. Sábado, 11h, cdc02.
  7. Jiboia do Ribeira: a mais rara serpente – Zé cropanii. Sábado, 16h20, aud02.
  8. Técnicas de memorização e o birdwatching – Arthur Carvalho. Domingo, 11h, aud02.
  9. Aves Marinhas – Bianca Vieira. Domingo, 14h, aud02.
  10. Homenagem a Haroldo Palo Jr. – L. Wahba, C. Dimitrius e convidados. Domingo, 15h, aud01.

Paraty – um livro sobre a alma (e as aves) de um lugar

O catálogo de publicações sobre a avifauna brasileira não para de crescer. De guias de campo a livros de arte. Uma pesquisa rápida na internet vai revelar obras fantásticas. Algumas focadas em lugares, outras em gêneros específicos de aves, com fotografias ou ilustrações de primeiríssima linha. Mais raros são os guias para iniciantes na observação. Trilhando um caminho do meio, o recém-lançado livro Aves de Paraty costura muito bem as coisas, combinando fotografia, ilustração e texto para traduzir um dos aspectos fundamentais do lugar (a avifauna) e suas interações com as pessoas e o ambiente. No visual, para usar o português claro, o livro é um desbunde. Com fotos de Bruno Rennó, Luciano Lima (também autor dos textos), Rafael Bessa e Wagner Nogueira, ilustrações de Ciro Girard e edição de Guto Carvalho, a publicação não se limita a reproduzir – muito bem -a imensa diversidade de espécies de Paraty. Leva o leitor por uma viagem entre as paisagens (praia, montanha, florestas, rios), as intervenções humanas, o modo de vida caiçara, a história riquíssima do lugar. A própria capa é uma síntese das preocupações dos editores: mostra uma ave sobrevoando a cidade, com a floresta ao fundo e o beiral dos casarões no primeiro plano. O livro traz também noções básicas de por que e como observar aves e ajuda os iniciantes dividindo as espécies por temas intuitivos (migratórias, aves de mangue, de brejo etc). Para resumir: joia que é para degustar com calma e prazer, como uma boa Paraty. E que deve figurar na biblioteca de todo observador, iniciante ou não.

O link para compra do livro online está aqui.

 

Uma andorinha misteriosa aumenta a lista de aves do Brasil

 

Ao contrário do que canta o Trio Parada Dura, uma só andorinha fez o verão. Pelo menos o verão de três pesquisadores (de instituições dos EUA, Rússia e Holanda) que acabam de publicar um artigo muito interessante. Em 2012, eles colocaram geolocalizadores em sete exemplares da andorinha-do-caribe (Progne dominicensis). Um desses geolocalizadores foi recuperado dois anos depois, e mostrou informações surpreendentes. A andorinha havia migrado durante o outono/inverno do Hemisfério Norte (primavera/verão por aqui) para uma região no interior da Bahia, nos dois anos consecutivos. E, embora a área de destino tenha variado muito pouco, as rotas que ela percorreu foram bem diferentes. No primeiro ano bordeou a costa atlântica do Brasil e depois voou direto para o oeste baiano. No segundo veio pela região das Guianas, passou algum tempo na Amazônia e só então foi em direção sul, até a Bahia. “O registro é muito importante porque a rota migratória e área de invernagem da espécie eram totalmente desconhecidas”, diz o pesquisador brasileiro Vitor Piacentini.

Além de esclarecer o mistério sobre o paradeiro de inverno da andorinha-do-caribe, o estudo ajudou a colocar a espécie na lista de aves do Brasil. Lista, aliás, que cresceu também com outro artigo publicado, com o registro da fragata-de-ascensão (Fregata aquila) no mar territorial brasileiro. Assim, o país agora conta provisoriamente com 1927 espécies registradas. Um detalhe curioso: a notícia da presença da andorinha-do-caribe por aqui provocou uma corrida dos ornitólogos e observadores de aves em busca de registros antigos da andorinha-doméstica-grande (Progne chalybea), uma espécie muito comum em boa parte do patropi. É que as duas espécies são parecidas – a esperança é que registros antes identificados como andorinha-doméstica-grande na verdade sejam da andorinha-do-caribe. E, como a primavera vem chegando, vale prestar atenção redobrada às andorinhas nos fios. Uma delas pode ser a visitante caribenha.

Andorinha-do-caribe. Reprodução: Handbook of the Birds of the World

Circuito #vempassarinhar faz sucesso em Minas Gerais

Tico-tico-de-máscara-negra, ave ameaçada do cerrado em Minas

 

Os mineiros abraçaram a observação de aves, e não é de hoje. A Ecoavis, ong que agrega os birders de Minas, faz um trabalho exemplar de conscientização e ações para proteger a avifauna do Estado. Por ali também nasceram iniciativas individuais que mudaram a atividade no Brasil, como o Wikiaves e o Táxeus. E agora um novo movimento promete trazer novos adeptos à observação de aves em Minas, além de conectar novos locais para a atividade: o #vempassarinharmg. É uma iniciativa de várias entidades, com o apoio da Secretaria de Turismo estadual. A primeira saída ocorreu no começo de agosto, e já há novas atividades programadas até novembro, em lugares sensacionais, como a Serra do Cipó e o Parque do Itacolomi. Para saber mais e fazer sua inscrição, acesse o link aqui.

Choró-boi em Minas Gerais. Foto: Zé Edu Camargo

 

Ouroboros, aves de Shakespeare, a música de Ottorino Respighi e o Butantan no meio disso tudo

Ouroboros em um manuscrito grego. Reprodução: Wikipedia.

 

Ouroboros. Já ouviu essa palavra? Ela traduz uma ilustração – a serpente que morde a própria cauda, formando um círculo. E também um conceito de eternidade, de fluxo contínuo, de permanente renovação. No Brasil, falou em serpente, lembramos do Instituto Butantan. E a renovação que o Butantan nos traz hoje é o #vempassarinhar. Essa hashtag representa uma iniciativa do Observatório de Aves do instituto – levar as pessoas em uma visita guiada para ver aves. Começou tímida, com uma visita por mês na mata do próprio Butantan, em São Paulo. E hoje já se espalhou por vários estados do país, em parques nacionais, parques urbanos e outras áreas verdes. “Um toque da natureza faz todo mundo ser da família”, diz a frase de Shakespeare (uma tradução livre para one touch of nature makes the whole world kin).

Deu ruim, William

Shakespeare, aliás, usou os passarinhos em diversas passagens de seus escritos. Essa presença era tão constante que estimulou uma das maiores catástrofes naturais do mundo moderno. No século XIX, um apaixonado pela obra do bardo teve a (má) ideia de importar todas as aves citadas nas suas obras da Europa para os Estados Unidos. Assim, entre outras espécies, trouxe casais de estorninhos da Inglaterra para o Central Park, em Nova York. O resultado? Os estorninhos dominaram os EUA, causando sérios prejuízos econômicos (são o terror dos aeroportos, porque formam bandos imensos) e colocando a avifauna local em perigo (porque disputam alimento e local para ninho com as espécies nativas).

E da capo

A lista dos artistas que usaram e usam aves como inspiração passa por Shakespeare, mas vai de Esopo a Paul McCartney e continua crescendo a cada dia. Na música clássica, no entanto, uma das mais inspiradas obras que têm aves como tema é a suíte em cinco movimentos Gli Ucelli (Os Pássaros) de Ottorino Respighi. Além do prelúdio, ele usa como referência a pomba, o rouxinol, a galinha e o cuco. Em 1927 Respighi veio ao Brasil. A viagem rendeu três movimentos de outra suíte, Impressões Brasileiras. Um deles é resultado de uma visita em São Paulo. Com a esposa, cantora lírica, Respighi foi ao… Instituto Butantan. A peça (chamada Butantan) é tensa, com um clima de suspense – diz a lenda que o compositor ficou atarantado com o lugar e suas serpentes. Opa, alguém falou em serpente? Ouroboros, mizifi, ouroboros.

 

Observadores durante o #vempassarinhar no Instituto Butantan. Foto: Observatório de Aves – Instituto Butantan/Divulgação

 

Jararaca-ilhoa no Museu Biológico do Butantan

Você tem um hotel, pousada ou reserva? Participe do censo de destinos!

 

O pessoal do Avistar Brasil, em parceria com outras entidades ligadas à observação de aves, está organizando o segundo Censo de Destinos de Observação. A ideia é desenhar um quadro de como a atividade está se denvolvendo no país, com a ajuda de proprietários de hotéis, pousadas, campings e áreas com portencial para receber birdwatchers. Então, se você é empresário ou gerencia um empreendimento que já recebeu/quer receber observadores, ajude a iniciativa. É só responder o questionário clicando no link aqui.

O maravilhoso mundo das armadilhas fotográficas

O nome é péssimo, eu sei. A palavra armadilha remete à caça, à captura de animais. Mas não é o caso aqui. Armadilha fotográfica é um artefato do bem. Também conhecida como trap camera em inglês, há muito tempo ela ajuda pesquisadores do mundo todo a estudar a fauna selvagem e a monitorar áreas de conservação. No lado da fotografia, grande profissionais têm usado complexos sistemas de câmera e iluminação com disparo remoto para registrar animais normalmente arredios à presença humana. O trabalho do fotógrafo Luciano Candisani na Mata Atlântica, por exemplo, já rendeu o registro de uma raríssima anta albina e de animais como a onça-parda (conheça um pouco do trabalho dele clicando aqui).

Os amadores entram em campo

Nos últimos anos, as trap cameras têm baixado de preço e se popularizado. Hoje já é possível encontrar algumas por menos de US$ 100 no exterior. Isso permitiu que muitos amadores passassem a registrar a fauna do seu sítio ou fazenda em diversos pontos do Brasil, além de tornar mais fácil a vida de pesquisadores (isso merecia um capítulo à parte, mas ainda hoje zoólogos usam caixas de areia para verificar a presença de animais através de pegadas, um método bem menos eficiente). O evento Avistar deste ano promoveu um concurso de vídeos produzidos com trap cameras e o resultado foi surpreendente (o concurso teve o apoio da Log Materiais). Entre as centenas de inscrições, 25 vídeos foram premiados, como o que flagrou uma onça-pintada com o filhote, ou o que trazia um tamanduá-bandeira tomando banho de ribeirão. Vale muito a pena dar uma olhada na playlist completa do Youtube clicando aqui (. E aí? Que tal colocar uma armadilha fotográfica na matinha do seu sítio?

 

Exposição no metrô de São Paulo mostra aves ameaçadas

Imagem do cartaz: Araponga – Vulnerável (Procnias nudicollis) Adriane Nassralla Kassis Iporanga/SP
Imagem do cartaz: Araponga – Vulnerável
(Procnias nudicollis)
Adriane Nassralla Kassis
Iporanga/SP

 

Até o fim do mês de Junho os passageiros do metrô de São Paulo irão encontrar na estação da Sé diversas fotos de aves brasileiras ameaçadas. A exposição, que será aberta neste sábado (10) traz imagens de dez fotógrafos, com algumas das mais icônicas espécies entre as 166 que ocorrem no Brasil e estão sob risco de extinção (no total, o Brasil tem cerca de 1900 espécies). Uma das que se encontram em estado crítico é o bicudinho-do-brejo-paulista, hoje restrito a pouquíssimos pontos na região do Vale do Paraíba, em São Paulo. Mas também há aves de outras regiões do país, como o cardeal-amarelo, no extremo sul do país, ou o soldadinho-do-araripe, restrito a uma pequena região serrana do Ceará. A exposição é uma realização da Save Brasil, ONG que se dedica à proteção da avifauna brasileira, da BirdLife International e do metrô de São Paulo. Os fotógrafos que cederam imagem para o projeto contribuem com o programa Amigos da Save – através de uma pequena contribuição anual, o programa organiza diversas saídas de observação e outros eventos para observadores (conheça mais sobre o programa clicando aqui). Abaixo você vê algumas imagens que estão na exposição.

Garça-da-mata – Vulnerável (Agamia agami) Claudia Brasileiro Martins
Garça-da-mata – Vulnerável
(Agamia agami)
Claudia Brasileiro Martins

 

Jacu-de-barriga-castanha - Vulneravél (Penelope ochrogaster) Silvia Linhares Poconé/MT
Jacu-de-barriga-castanha – Vulneravél
(Penelope ochrogaster)
Silvia Linhares
Poconé/MT

 

Bicudinho-do-brejo-paulista - Criticamente (Formicivora paludicola) - fêmea Elvis Japão Salesópolis/SP
Bicudinho-do-brejo-paulista – Criticamente
(Formicivora paludicola) – fêmea
Elvis Japão
Salesópolis/SP