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10 apresentações imperdíveis no Avistar 2018

Observador de aves em ação: Avistar 2018 reúne birders do Brasil todo. Foto: Zé Edu.

O Avistar você já conhece – a feira que reúne a turma da observação de aves ocupa o Instituto Butantan, em São Paulo, sempre no mês de maio. Em 2018, palestras, workshops, brincadeiras para as crianças, saídas de observação na mata, exposição de produtos e destinos, happenings e happy-hours começam no dia 18 (sexta) pela manhã e vão até o apagar das luzes do domingo, dia 20. Passando os olhos pela programação, não é difícil ver que este ano será especial. Há muitas apresentações interessantes, algumas delas ocorrendo ao mesmo tempo, até. Aí embaixo há uma listinha pessoal de 10 palestras legais (entre muitas outras que também não pretendo perder). É uma forma de chamar a sua atenção para a necessidade de se programar – vale dar um pulo no site do Avistar, fazer a inscrição e preparar sua própria lista. Vambora?

  1. Merlin Photo ID – Jessie Barry. Sexta, 11h40, aud01.
  2. Ciência cidadã – conceito, aplicações – Wagner Nogueira. Sexta, 14h40, aud01.
  3. Segredos da camera-trap – Juliana Kleinsorge. Sexta, 16h, aud02.
  4. Turismo e bem-estar animal – Roberto Vieto. Sexta, 16h20, aud02.
  5. Birding fora do Brasil – Marcelo Barreiros. Sábado, 10h20, cdc01.
  6. Nomes vernáculos das aves brasileiras – Luiz Fernando. Sábado, 11h, cdc02.
  7. Jiboia do Ribeira: a mais rara serpente – Zé cropanii. Sábado, 16h20, aud02.
  8. Técnicas de memorização e o birdwatching – Arthur Carvalho. Domingo, 11h, aud02.
  9. Aves Marinhas – Bianca Vieira. Domingo, 14h, aud02.
  10. Homenagem a Haroldo Palo Jr. – L. Wahba, C. Dimitrius e convidados. Domingo, 15h, aud01.

Paraty – um livro sobre a alma (e as aves) de um lugar

O catálogo de publicações sobre a avifauna brasileira não para de crescer. De guias de campo a livros de arte. Uma pesquisa rápida na internet vai revelar obras fantásticas. Algumas focadas em lugares, outras em gêneros específicos de aves, com fotografias ou ilustrações de primeiríssima linha. Mais raros são os guias para iniciantes na observação. Trilhando um caminho do meio, o recém-lançado livro Aves de Paraty costura muito bem as coisas, combinando fotografia, ilustração e texto para traduzir um dos aspectos fundamentais do lugar (a avifauna) e suas interações com as pessoas e o ambiente. No visual, para usar o português claro, o livro é um desbunde. Com fotos de Bruno Rennó, Luciano Lima (também autor dos textos), Rafael Bessa e Wagner Nogueira, ilustrações de Ciro Girard e edição de Guto Carvalho, a publicação não se limita a reproduzir – muito bem -a imensa diversidade de espécies de Paraty. Leva o leitor por uma viagem entre as paisagens (praia, montanha, florestas, rios), as intervenções humanas, o modo de vida caiçara, a história riquíssima do lugar. A própria capa é uma síntese das preocupações dos editores: mostra uma ave sobrevoando a cidade, com a floresta ao fundo e o beiral dos casarões no primeiro plano. O livro traz também noções básicas de por que e como observar aves e ajuda os iniciantes dividindo as espécies por temas intuitivos (migratórias, aves de mangue, de brejo etc). Para resumir: joia que é para degustar com calma e prazer, como uma boa Paraty. E que deve figurar na biblioteca de todo observador, iniciante ou não.

O link para compra do livro online está aqui.

 

Uma andorinha misteriosa aumenta a lista de aves do Brasil

 

Ao contrário do que canta o Trio Parada Dura, uma só andorinha fez o verão. Pelo menos o verão de três pesquisadores (de instituições dos EUA, Rússia e Holanda) que acabam de publicar um artigo muito interessante. Em 2012, eles colocaram geolocalizadores em sete exemplares da andorinha-do-caribe (Progne dominicensis). Um desses geolocalizadores foi recuperado dois anos depois, e mostrou informações surpreendentes. A andorinha havia migrado durante o outono/inverno do Hemisfério Norte (primavera/verão por aqui) para uma região no interior da Bahia, nos dois anos consecutivos. E, embora a área de destino tenha variado muito pouco, as rotas que ela percorreu foram bem diferentes. No primeiro ano bordeou a costa atlântica do Brasil e depois voou direto para o oeste baiano. No segundo veio pela região das Guianas, passou algum tempo na Amazônia e só então foi em direção sul, até a Bahia. “O registro é muito importante porque a rota migratória e área de invernagem da espécie eram totalmente desconhecidas”, diz o pesquisador brasileiro Vitor Piacentini.

Além de esclarecer o mistério sobre o paradeiro de inverno da andorinha-do-caribe, o estudo ajudou a colocar a espécie na lista de aves do Brasil. Lista, aliás, que cresceu também com outro artigo publicado, com o registro da fragata-de-ascensão (Fregata aquila) no mar territorial brasileiro. Assim, o país agora conta provisoriamente com 1927 espécies registradas. Um detalhe curioso: a notícia da presença da andorinha-do-caribe por aqui provocou uma corrida dos ornitólogos e observadores de aves em busca de registros antigos da andorinha-doméstica-grande (Progne chalybea), uma espécie muito comum em boa parte do patropi. É que as duas espécies são parecidas – a esperança é que registros antes identificados como andorinha-doméstica-grande na verdade sejam da andorinha-do-caribe. E, como a primavera vem chegando, vale prestar atenção redobrada às andorinhas nos fios. Uma delas pode ser a visitante caribenha.

Andorinha-do-caribe. Reprodução: Handbook of the Birds of the World

Circuito #vempassarinhar faz sucesso em Minas Gerais

Tico-tico-de-máscara-negra, ave ameaçada do cerrado em Minas

 

Os mineiros abraçaram a observação de aves, e não é de hoje. A Ecoavis, ong que agrega os birders de Minas, faz um trabalho exemplar de conscientização e ações para proteger a avifauna do Estado. Por ali também nasceram iniciativas individuais que mudaram a atividade no Brasil, como o Wikiaves e o Táxeus. E agora um novo movimento promete trazer novos adeptos à observação de aves em Minas, além de conectar novos locais para a atividade: o #vempassarinharmg. É uma iniciativa de várias entidades, com o apoio da Secretaria de Turismo estadual. A primeira saída ocorreu no começo de agosto, e já há novas atividades programadas até novembro, em lugares sensacionais, como a Serra do Cipó e o Parque do Itacolomi. Para saber mais e fazer sua inscrição, acesse o link aqui.

Choró-boi em Minas Gerais. Foto: Zé Edu Camargo

 

Ouroboros, aves de Shakespeare, a música de Ottorino Respighi e o Butantan no meio disso tudo

Ouroboros em um manuscrito grego. Reprodução: Wikipedia.

 

Ouroboros. Já ouviu essa palavra? Ela traduz uma ilustração – a serpente que morde a própria cauda, formando um círculo. E também um conceito de eternidade, de fluxo contínuo, de permanente renovação. No Brasil, falou em serpente, lembramos do Instituto Butantan. E a renovação que o Butantan nos traz hoje é o #vempassarinhar. Essa hashtag representa uma iniciativa do Observatório de Aves do instituto – levar as pessoas em uma visita guiada para ver aves. Começou tímida, com uma visita por mês na mata do próprio Butantan, em São Paulo. E hoje já se espalhou por vários estados do país, em parques nacionais, parques urbanos e outras áreas verdes. “Um toque da natureza faz todo mundo ser da família”, diz a frase de Shakespeare (uma tradução livre para one touch of nature makes the whole world kin).

Deu ruim, William

Shakespeare, aliás, usou os passarinhos em diversas passagens de seus escritos. Essa presença era tão constante que estimulou uma das maiores catástrofes naturais do mundo moderno. No século XIX, um apaixonado pela obra do bardo teve a (má) ideia de importar todas as aves citadas nas suas obras da Europa para os Estados Unidos. Assim, entre outras espécies, trouxe casais de estorninhos da Inglaterra para o Central Park, em Nova York. O resultado? Os estorninhos dominaram os EUA, causando sérios prejuízos econômicos (são o terror dos aeroportos, porque formam bandos imensos) e colocando a avifauna local em perigo (porque disputam alimento e local para ninho com as espécies nativas).

E da capo

A lista dos artistas que usaram e usam aves como inspiração passa por Shakespeare, mas vai de Esopo a Paul McCartney e continua crescendo a cada dia. Na música clássica, no entanto, uma das mais inspiradas obras que têm aves como tema é a suíte em cinco movimentos Gli Ucelli (Os Pássaros) de Ottorino Respighi. Além do prelúdio, ele usa como referência a pomba, o rouxinol, a galinha e o cuco. Em 1927 Respighi veio ao Brasil. A viagem rendeu três movimentos de outra suíte, Impressões Brasileiras. Um deles é resultado de uma visita em São Paulo. Com a esposa, cantora lírica, Respighi foi ao… Instituto Butantan. A peça (chamada Butantan) é tensa, com um clima de suspense – diz a lenda que o compositor ficou atarantado com o lugar e suas serpentes. Opa, alguém falou em serpente? Ouroboros, mizifi, ouroboros.

 

Observadores durante o #vempassarinhar no Instituto Butantan. Foto: Observatório de Aves – Instituto Butantan/Divulgação

 

Jararaca-ilhoa no Museu Biológico do Butantan

Você tem um hotel, pousada ou reserva? Participe do censo de destinos!

 

O pessoal do Avistar Brasil, em parceria com outras entidades ligadas à observação de aves, está organizando o segundo Censo de Destinos de Observação. A ideia é desenhar um quadro de como a atividade está se denvolvendo no país, com a ajuda de proprietários de hotéis, pousadas, campings e áreas com portencial para receber birdwatchers. Então, se você é empresário ou gerencia um empreendimento que já recebeu/quer receber observadores, ajude a iniciativa. É só responder o questionário clicando no link aqui.

O maravilhoso mundo das armadilhas fotográficas

O nome é péssimo, eu sei. A palavra armadilha remete à caça, à captura de animais. Mas não é o caso aqui. Armadilha fotográfica é um artefato do bem. Também conhecida como trap camera em inglês, há muito tempo ela ajuda pesquisadores do mundo todo a estudar a fauna selvagem e a monitorar áreas de conservação. No lado da fotografia, grande profissionais têm usado complexos sistemas de câmera e iluminação com disparo remoto para registrar animais normalmente arredios à presença humana. O trabalho do fotógrafo Luciano Candisani na Mata Atlântica, por exemplo, já rendeu o registro de uma raríssima anta albina e de animais como a onça-parda (conheça um pouco do trabalho dele clicando aqui).

Os amadores entram em campo

Nos últimos anos, as trap cameras têm baixado de preço e se popularizado. Hoje já é possível encontrar algumas por menos de US$ 100 no exterior. Isso permitiu que muitos amadores passassem a registrar a fauna do seu sítio ou fazenda em diversos pontos do Brasil, além de tornar mais fácil a vida de pesquisadores (isso merecia um capítulo à parte, mas ainda hoje zoólogos usam caixas de areia para verificar a presença de animais através de pegadas, um método bem menos eficiente). O evento Avistar deste ano promoveu um concurso de vídeos produzidos com trap cameras e o resultado foi surpreendente (o concurso teve o apoio da Log Materiais). Entre as centenas de inscrições, 25 vídeos foram premiados, como o que flagrou uma onça-pintada com o filhote, ou o que trazia um tamanduá-bandeira tomando banho de ribeirão. Vale muito a pena dar uma olhada na playlist completa do Youtube clicando aqui (. E aí? Que tal colocar uma armadilha fotográfica na matinha do seu sítio?

 

Exposição no metrô de São Paulo mostra aves ameaçadas

Imagem do cartaz: Araponga – Vulnerável (Procnias nudicollis) Adriane Nassralla Kassis Iporanga/SP
Imagem do cartaz: Araponga – Vulnerável
(Procnias nudicollis)
Adriane Nassralla Kassis
Iporanga/SP

 

Até o fim do mês de Junho os passageiros do metrô de São Paulo irão encontrar na estação da Sé diversas fotos de aves brasileiras ameaçadas. A exposição, que será aberta neste sábado (10) traz imagens de dez fotógrafos, com algumas das mais icônicas espécies entre as 166 que ocorrem no Brasil e estão sob risco de extinção (no total, o Brasil tem cerca de 1900 espécies). Uma das que se encontram em estado crítico é o bicudinho-do-brejo-paulista, hoje restrito a pouquíssimos pontos na região do Vale do Paraíba, em São Paulo. Mas também há aves de outras regiões do país, como o cardeal-amarelo, no extremo sul do país, ou o soldadinho-do-araripe, restrito a uma pequena região serrana do Ceará. A exposição é uma realização da Save Brasil, ONG que se dedica à proteção da avifauna brasileira, da BirdLife International e do metrô de São Paulo. Os fotógrafos que cederam imagem para o projeto contribuem com o programa Amigos da Save – através de uma pequena contribuição anual, o programa organiza diversas saídas de observação e outros eventos para observadores (conheça mais sobre o programa clicando aqui). Abaixo você vê algumas imagens que estão na exposição.

Garça-da-mata – Vulnerável (Agamia agami) Claudia Brasileiro Martins
Garça-da-mata – Vulnerável
(Agamia agami)
Claudia Brasileiro Martins

 

Jacu-de-barriga-castanha - Vulneravél (Penelope ochrogaster) Silvia Linhares Poconé/MT
Jacu-de-barriga-castanha – Vulneravél
(Penelope ochrogaster)
Silvia Linhares
Poconé/MT

 

Bicudinho-do-brejo-paulista - Criticamente (Formicivora paludicola) - fêmea Elvis Japão Salesópolis/SP
Bicudinho-do-brejo-paulista – Criticamente
(Formicivora paludicola) – fêmea
Elvis Japão
Salesópolis/SP

Aves no escritório

Amanhecer na floresta Amazônica. Foto: Zé Edu Camargo
Amanhecer na floresta Amazônica. Foto: Zé Edu Camargo 

Aviso: artigo originalmente publicado no Linkedin, sobre as interações entre o birdwatching e a vida profissional.

Observação de aves. Aposto que você já imagina o que vou dizer ao ler estas palavras. É sobre diminuir o estresse interagindo com a natureza e aproveitando o ar puro da floresta, certo? Certo nada. Vou é contar sobre as habilidades que você pode desenvolver ou afiar na dura (mas também prazerosa) tarefa de observar bichos no ambiente natural. E como você pode usar estes skills para se tornar um profissional melhor. Claro, seu estresse também vai diminuir, mas este não é o foco.

Primeiro, algumas informações para quem ainda não é adepto. A observação de aves tem algumas peculiaridades. Para começar basta apenas um binóculo e muita disposição. No parque da sua cidade há dezenas de espécies diferentes (no mundo todo são cerca de 10 mil) e o barato é observá-las, identificá-las e fazer uma lista – que você pode compartilhar na internet, ajudando os cientistas no esforço de estudar migrações, por exemplo. Com o tempo, você começa a fazer uma life list, a lista das espécies que já viu. E então o desafio é ver outras espécies – aí o parque da cidade fica pequeno, você começa a fazer viagens curtas para parques nacionais ou áreas de conservação e, quando se dá conta, está no meio da Amazônia em busca de um beija-flor raro.

Voltando ao tema da interação entre birdwatching (ou birding, como gostam os americanos) e desenvolvimento pessoal, vamos dividir em tópicos, com cinco habilidades que você adquire na observação.

Do planeiamento à prática

Treino é treino, jogo é jogo, diz o jargão do futebol. No ambiente corporativo isso vale em boa medida. Quem nunca teve de adaptar vários pontos de um plano durante a execução? Quem nunca errou a mão em um cronograma? No birdwatching você aprende a trabalhar com a imprevisibilidade o tempo todo. Dá para visitar o mesmo lugar em dois dias seguidos e ter resultados completamente distintos nos dois. Ver aves diferentes e ter de adaptar seu tempo, seu ritmo e sua técnica às circunstâncias. Em um dia as aves estão ativas nas copas, expansivas e respondendo bem ao playback (a reprodução gravada da voz de uma espécie, usada para atraí-la). No outro você percebe que é inútil insistir na mata e o mais produtivo parece ir para a borda do brejo, onde a atividade está maior. O seu objetivo (ver o maior número de aves possível no tempo definido) não mudou. Mas o método para alcançá-lo é muito diferente.

Olha o passarinho

O diabo está nos detalhes. Nas linhas finas de um contrato. No item aparentemente inexpressivo de uma negociação. Ou nas poucas penas mais claras sobre o olho de uma ave de 10 centímetros de comprimento e poucos gramas de peso. Porque estas poucas penas podem indicar se aquela é a espécie X, muito comum em todo o Brasil, ou a espécie Y, migrante rara que todo observador gostaria de ver. E o seu olho treinado a prestar atenção a este detalhe não vai deixar passar aquele termo errado no e-mail para a matriz, pode ter certeza.

Tudo a seu tempo

Faster is better than perfect (rápido é melhor do que perfeito). Li isso no adesivo colado à baia de um colega, certa vez. Vamos com calma. Será mesmo? Claro, há tarefas urgentes – uma cirurgia de apêndice ou um relatório de vendas requisitado pela presidência (a diferença aqui é quem sentirá a dor de um erro…). Outras são igualmente importantes, mas podem dar lugar a outras ainda mais vitais se for o caso. Como escolher? Aprendendo a prever as consequências, é claro. Duas aves cantaram ao mesmo tempo, em lados distintos da trilha. Sei que uma é territorial, não sai dali e defende seu pedacinho de chão contra intrusos. A outra vaga pela floresta seguindo bandos mistos que passam, em busca do melhor lugar de caça. Qual vou tentar ver primeiro? A decisão óbvia seria ir atrás da ave passageira, que pode não estar mais ali em instantes. No entanto, a territorial é rara e muito tímida. A outra vai passar e ir embora rápido, mas trata-se de uma espécie comum que você já viu várias vezes. Ou seja: às vezes é preciso parar e pensar nas variáveis, antes de sair fazendo. Mas não esqueça do relatório de vendas, por favor.

Escute uma coisa

Se você precisa esperar o ano todo para sentar por duas horas em uma sala com seu chefe e receber um feedback que irá balizar seu comportamento, coitado de você. E não adianta colocar a culpa na empresa ou no seu chefe. Porque talvez você não esteja ouvindo direito. Ou esteja ouvindo, mas não prestando atenção. Na observação de aves, ouvir é tão importante quanto ver. Algumas aves emitem sons baixos, que se misturam a outras vozes da floresta. É preciso foco e atenção para distinguir o que você procura. Para complicar, o canto de uma ave varia conforme a situação (procurando um companheiro, avisando outras aves sobre um predador na área…). E você precisa comparar esse canto com seu “banco de dados” na memória para identificar a espécie e decidir se vale empenhar tempo e esforço para vê-la. Isso é um treino interessante. Pois lembre-se: identificar o tom de voz de um colega ou de um chefe, às vezes, vale mais que um feedback anual de duas horinhas..

Imagine all the people

Trabalhar em equipe é uma arte. Entre as aves, é comum a associação de espécies diferentes para encontrar alimento ou como defesa contra predadores. Mas, além da observação desse tipo de comportamento nos passarinhos, vale a pena prestar atenção no comportamento de um grupo de birders (ou observadores de aves). Passarinhar junto é muito mais eficiente. Um ouve melhor que outro – o outro sabe mais sobre espécies do que um. E os dois se ajudam, trocam experiências e se completam – para que a experiência comum seja a melhor possível. Se isso é possível no campo, porque não nos completamos no escritório?

E, por fim…

Um bom site que agrega observadores de todo o mundo é o ebird.org, mantido pela Universidade Cornell, dos Estados Unidos. No Brasil, o wikiaves.com.br é uma ótima plataforma para quem está começando. Você tira uma foto daquele passarinho que viu no quintal, posta no site e observadores mais experientes podem ajudá-lo na identificação da espécie. E no Facebook há várias comunidades que tratam do tema. Então? Bora passarinhar?

Evento Avistar reúne observadores neste fim de semana em São Paulo

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Nesta sexta-feira (19 de maio) começa o Avistar Brasil, mais uma vez ocupando diversas áreas do Instituto Butantan, em São Paulo. Como sempre, o evento atrai observadores de todos os cantos do país, assim como alguns convidados internacionais. Para as crianças, o Avistar Kids é uma garantia de diversão. E as palestras cobrem uma enorme gama de temas ligados às aves e seu universo. Confira a seguir alguns destaques desta edição. Mas não se esqueça de se inscrever se quiser ver as palestras do Congresso Avistar (todas as outras atividades são gratuitas). A programação completa está no site do evento.

  1. Sexta, 11h – Floresta nas Nuvens: A Serra do Apiaú, Roraima, com Mario Cohn-Haft. O pesquisador e professor norte-americano radicado no Brasil revela as novidades em uma área de grande potencial para a descoberta de novas espécies.
  2. Sexta, 16h – Birding Ladies, organizado por Silvia Linhares. Observadoras compartilham suas experiências, em palestras curtas que abordam vários temas em torno do universo feminino e sua relação com a observação de aves.
  3. Sexta, 11h30 – Rolinha-do-planalto: avanços na conservação da espécie, com Pedro Develey e Rafael Bessa. Detalhes sobre as atividades para proteger a rolinha-do-planalto, recém-descoberta em uma área ainda não divulgada no cerrado brasileiro.
  4. Sexta, 12h – Os papa-capins e a ciência cidadã, com Wagner Nogueira. Como os observadores ajudam nos esforços para estudar padrões de migração e comportamentos dos papa-capins e coleirinhos.
  5. Sábado, 11h30 – Ajude a desvendar a migração das aves!, com Karlla Barbosa. As interações entre a ciência e plataformas colaborativas, como o Ebird, Táxeus e Wikiaves, no estudo de espécies migratórias.
  6. Sábado, 16h – Observar as aves é preservar as matas, com Ciro Porto. O jornalista e apresentador do programa Terra da Gente conta um pouco de sua experiência na conservação das espécies nacionais.
  7. Sábado, 15h30 – Beija-flores do Brasil, com Vitor Piacentini e Luiz Carlos Ribenboim. Os autores fazem o lançamento do livro sobre beija-flores e mostram o universo de diversas espécies que ocorrem no país.
  8. Sábado, 14h30 – Roteiro Austral, com Ester Ramirez. A fotógrafa fala de sua experiência no extremo sul do continente americano.
  9. Domingo, 9h – Observação para Iniciantes, com Edu Alexandrino e Luccas Longo. Dicas para quem está começando a observar aves.
  10. Domingo, 14h – O desaparecimento da Arara Azul Pequena, com Dante Teixeira. A intrigante história sobre o sumiço de uma espécie muito pouco conhecida.

No sábado, às 17h, o blog Brasil das Aves vai organizar um encontro de blogueiros, logo após a palestra SEO e Marketing Digital para Blogs, com Osmar Lazarini, da Agência Trampo, no Auditório 2. Apareçam!