Month: November 2012

Portfólio Jarbas Mattos

O Wikiaves não é só um banco de dados virtual, nem só uma baita ferramenta de pesquisa. É também uma comunidade viva, onde dá para trocar experiências, aprender e se divertir. Logo vou voltar a ele em outro post. Mas a introdução é para dizer que no Wikiaves eu aprendi a admirar o trabalho de muita gente. Um dos fotógrafos que sempre me chamou a atenção é Jarbas Mattos, um paulista boa gente. Um cara que vive viajando, sempre atrás de lifers e descobertas, mas também uma pessoa muito atenta ao comportamento das aves. Suas fotos sempre têm uma ação, um componente diferente, algo que as destacam e as tiram do lugar-comum. Aqui está uma pequena apresentação própria que ele fez a meu pedido, e um pequeno portfólio de suas fotos (os comentários sobre as fotos nas legendas são dele). Pedi também ao fotógrafo que desse dicas a que está começando. Com vocês, Jarbas Mattos:

“Apesar de ser biólogo por formação, eu só descobri as aves pouco depois de descobrir a fotografia; eu trabalhava junto ao SEBRAE na área de treinamentos e viajava muito a trabalho, e normalmente os cursos ocorriam em um período, noite ou dia, e eu ficava o outro período sem nada para fazer. Foi aí que a fotografia entrou. E, claro, como biólogo, a fotografia de natureza foi a opção lógica. No começo fotograva de tudo, porém sempre via as aves e amava suas cores, aprendendo aos poucos a conhecê-las melhor, por isso a fotografia e a fotografia de aves vieram juntas. 

Na verdade eu não tenho um estilo de birding preferido, mas prefiro fotografar quando estou em grupos bem pequenos, 3 ou 4 no máximo. Quanto ao tipo de terreno, gosto de todos, mas curto muito o cerrado devido à boa luz, às cores de fundo sempre diferenciadas e à possibilidade de se fazer fotos mais limpas.

Birding para mim é algo extremamente natural, que faz parte minha rotina, afinal saio todos os dias para observar e fotografar. Inclusive, hoje, batalho para tentar editar meu primeiro livro – estou procurando por patrocínio no momento.

Algumas boas dicas para se fotografar aves são: aprender com quem sabe mais, estude MUITO as informações EXIF das fotos dos fotógrafos mais experientes e tente fazer igual, conheça sua máquina para poder usufruir dos recursos que ela oferece, nunca abuse do playback ou use esse recurso perto de ninhos (muitas espécies podem abandonar o ninho se sentirem ameaçadas e nenhuma foto vale isso). Na fotografia de aves silêncio é essencial por isso ande devagar e não faça movimentos bruscos na mata, as aves além do som se assustam facilmente com movimento, por isso seja discreto, use roupas camufladas ou discretas, tenha cuidado onde pisa e onde apóia a mão (encontros com animais peçonhentos são comuns). Mas, acima de tudo, divirta-se!”

Jarbas Mattos: “Eu sempre quis fazer uma boa foto gaturamo-bandeira (Chlorophonia cyanea) e Itatiaia foi o lugar perfeito!”

 

Jarbas Mattos: “Muito bacana poder ver esse papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta), ave ameaçada de extinção por perda de hábitat, voando pelos campos da Canastra!”

 

Jarbas Mattos: “Os sporophilas, como esse patativa macho (Sporophila plumbea), são um fraco meu, adoro essas avezinhas, e um lugar bacana de encontrá-las é a Serra da Canastra, em Minas Gerais”

 

Jarbas Mattos: “Quem disse que beija-flores não gostam de água? Esse aí (beija-flor-preto, Florisuga fusca), pelo jeito, gosta!”

 

Estudo mapeia evolução das aves em todo o mundo

Crédito da Imagem: reprodução/revista Nature

 

Um projeto ambicioso, que envolve várias universidades, ganhou as páginas da revista Nature na semana passada. A ideia é mapear as interações de evolução entre todas as 9 993 espécies conhecidas no mundo, situando-as no tempo e no espaço. Para isso, os cientistas criaram um banco de dados com informações de DNA, cruzando também informações geográficas e de evolução ao longo do tempo (estas últimas incluem também o estudo de fósseis). Os primeiros resultados, publicados agora, já permitem algumas conclusões interessantes, como a de que a diferenciação entre espécies acontece mais conforme a longitude do que pela latitude.

“É um artigo notável, que resultou em um produto definitivamente muito interessante e que, como todo bom trabalho, vai abrir um leque outras questões muito relevantes nos próximos anos”, diz o pesquisador Luís Fábio Silveira, do Museu de Zoologia da USP. Ele completa: “Além do esforço para conseguir sequências de mais de dois terços de todas as espécies atualmente reconhecidas (um número ainda subestimado), houve um avanço também nas técnicas de análises destes dados, que geralmente requerem um arranjo computacional muito complexo para que todas as possibilidades sejam igualmente analisadas. Para mim, o trabalho tem méritos não só pela abordagem do tema, e por lançar luz em um grupo cujas relações filogenéticas ainda são muito complicadas, mas também por conseguir analisar esta imensa quantidade de dados”.

Leia mais sobre o estudo no site Nature News.