Livro

Livro primoroso reúne todos os papagaios, araras e periquitos do Brasil

“Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitos nesta terra”.

O trecho aí em cima vem da carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento escrito sobre o Brasil, que já trazia algumas menções aos papagaios e periquitos. E, ao longo de nossa história, do Zé Carioca ao filme Rio, eles sempre estiveram associados à nossa imagem. Mas, apesar desta presença marcante, não eram abundantes os estudos e fontes de informação sobre as quase 100 espécies de psitacídeos que ocorrem em território nacional. Um parêntese: psitacídeo é uma palavra estranha mas de uso comum entre os biólogos para indicar papagaios e periquitos, em uma referência à família Psittacidae, que inclui nossos papagaios, periquitos, maitacas, araras, tiribas e maracanãs. Agora, o livro (mas o mais adequado seria dizer livrão, pela sua importância) Terra Papagalli vem cobrir com maestria muitas lacunas no nosso conhecimento destas aves. Obra de referência, mas que tem no visual e no cuidado gráfico um elemento fundamental, a obra traz as ilustrações do artista Eduardo Brettas (veja no final do post) em perfeita sintonia com o texto do pesquisador Luis Fabio Silveira, curador da coleção de ornitologia do Museu de Zoologia da USP. Um livro para apreciar como obra de arte e consultar como obra de referência. O lançamento ocorre no dia 9 de dezembro em São Paulo. Mais informações no book trailer:

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli

Livro mostra a diversidade de aves da Lagoa do Peixe

Renato Grimm é um fuçador, como se diz (sempre como elogio) entre os fotógrafos. Incansável, ele já rodou o continente a bordo de todo tipo de veículo, fotografando paisagens, sabores e saberes dos mais remotos rincões. Mas um lugar, para ele, sempre foi quintal e santuário, ao mesmo tempo: a Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul. E só um profundo conhecedor, alguém com uma relação dessas poderia fazer um trabalho tão profundo e bonito sobre a região. Com foco nas aves, ou melhor, na diversidade delas – em todas as suas cores, formas e agrupamentos. O livro Santuário das Aves – Parque Nacional da Lagoa do Peixe é obrigatório para todos os que gostam de observação de fauna, tanto os que já foram conferir como para os que têm como sonho experimentar o birding por lá. O livro mostra 147 espécies, entre endêmicas e migratórias (a Lagoa do Peixe é importantíssima no sustento do ciclo de vida de várias delas). Resultado de 40 expedições do fotógrafo no parque. Quem quiser adquirir o livro é só clicar aqui. Aí embaixo, uma seleção de fotos feita pelo próprio Renato. Enjoy it!

Caminheiro-de-espora Anthus correndera

 

Flamingo-grande-dos-andes / Nome Científico Phoenicoparrus andinus

 

Maçarico-branco / Calidris alba

 

Papa-piri / Tachuris rubrigastra

 

Maçarico-de-bico-virado Nome cientifico: Limosa haemastica Parque Nacional da Lagoa Peixe Mostardas / Tavares – RS Copyright Fotografias Renato Grimm www.bemtevibrasil.com.br

 

maçarico-de-papo-vermelho /Nome Científico Calidris canutus Um extraordinário viajante Em 10 de novembro de 2006, pesquisadores de Río Grande (Terra do Fogo, Argentina) capturaram e marcaram esse indivíduo com anilhas. A combinação de cores das anilhas e o código “EMU” permitem identificá-lo sem necessidade de capturas adicionais. Com isso, é possível acompanhar sua migração e estimar sua sobrevivência. Pesando de 100 a 200 gramas e medindo de 23 a 26 centímetros, esse maçarico possui uma autonomia de voo superior a muitas aeronaves. Ele é capaz de percorrer os 1500 quilômetros que separam o litoral gaúcho da Patagônia em 24 horas. Para viajar do Maranhão às praias do Rio Grande do Sul, leva três dias voando 3300 quilômetros sobre ambientes inóspitos. Mas o voo mais espetacular se dá entre a Lagoa do Peixe e o litoral nordeste dos Estados Unidos: são 8000 quilômetros, incluindo uma longa travessia oceânica, executados sem escalas em apenas seis dias. Como a espécie realiza duas migrações anuais entre os sítios de reprodução no Ártico canadense e o sul da América do Sul, onde passa o verão austral, cada indivíduo voa aproximadamente 30 mil quilômetros por ano. Assim, “EMU” percorreu 210 mil quilômetros entre o dia em que foi marcado e 08 de março de 2013, quando essa foto foi feita em Tavares. Mas essa é a distância mínima, pois não sabemos quantas vezes “EMU” migrou antes da captura.

 

 

A Caatinga revelada

Capa do livro Aves da Caatinga, de Edson Endrigo

 

O significado da palavra caatinga, mata branca em tupi, faz referência ao tom monocórdico da paisagem na época da seca. No entanto, o bioma esconde algumas da aves mais espetaculares do Brasil, algumas delas endêmicas (ou seja, só ocorrem ali). Essas belezas agora estão reunidas no livro Caatinga, do fotógrafo Edson Endrigo. É a sexta publicação de uma série que já abordou outros biomas brasileiros.

O livro de Endrigo, além de fotos belíssimas, também traz um alerta. Nele estão retratadas algumas aves sob risco. Embora não receba tanta atenção, a caatinga sofre com desmatamento, extração ilegal de madeira para carvão e queimadas. Ameaças a um ambiente que merece inclusive mais estudos.

O livro pode ser encontrado no site da editora (basta clicar no link). Abaixo, três fotos da publicação, escolhidas pelo próprio autor, que mostram aves endêmicas da caatinga. Endrigo agora elabora o sétimo livro da série, que vai retratar as aves dos ambientes costeiros do Brasil.