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2017 vai voar

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São vários os fatores que apontam para um crescimento da observação de aves como atividade no país. Pouco a pouco surgem guias, destinos, hotéis com estrutura – e a cada dias mais gente posta listas, fotos e sons em plataformas como Wikiaves, E-bird ou Táxeus. Mas há um outro aspecto que leva à mesma ideia: a expansão dos eventos de observação por todo o país. O Avistar (principal evento do meio no Brasil) ganhou crias regionais. O #vempassarinhar, conceito que une observação de aves e ciência cidadã numa divertida passarinhada em grupo (e que nasceu no Observatório de Aves do Instituto Butantan) hoje se espalha em parques e áreas verdes de diversas cidades. E mesmo o conceito de Big Day pegou por aqui – no ano que vem vamos para a terceira edição do Big Day Brasil. Além disso, o tempo todo, observadores se unem para passarinhar, para trocar experiências, para criar atividades divertidas com as crianças.

Para tentar unir essas atividades (ou parte delas) em um único calendário, surge agora uma plataforma colaborativa online- uma iniciativa de várias entidades em conjunto. A ideia é simples: qualquer um pode cadastrar seu evento neste Link aqui. Assim os observadores podem se preparar e agendar a participação naqueles que consideram mais importantes ou interessantes. A plataforma foi lançada há poucos dias, mas já dá pra ver que 2017 promete. São dezenas de eventos programados. Que tal dar uma olhadinha e já ir se preparando para o ano novo?

Avistar Brasil 2016 vai revelar espécie reencontrada após décadas desaparecida

Observadores em ação: Avistar 2016 está cheio de novidades – Foto: Zé Edu Camargo

“Acima de tudo, tudo bem”. Esse mantra poderia se aplicar de modo perfeito a Guto Carvalho, organizador do Avistar Brasil, maior evento de observação de aves do país. Ele é um aglutinador – de ideias, de pessoas, de iniciativas. Por isso o Avistar Brasil colhe um sucesso após o outro, ano após ano. Em 2016 (atenção: começa na sexta-feira e vai até domingo – entre 20 e 22 de maio) o evento ocupa mais uma vez o Instituto Butantan, em uma parceria muito feliz. A programação está recheada. Uma das palestras deve chamar todas as atenções: pesquisadores irão revelar qual é a espécie brasileira desaparecida há décadas e recentemente encontrada. Mas ninguém melhor do que o próprio Guto para apontar o que há de melhor na programação do Avistar:

Blog:  Será o segundo ano do evento no Instituto Butantan. Quais as principais novidades no Avistar Brasil 2016?

Guto Carvalho: O Instituto Butantan tem uma forte tradição na prática de Ciência Cidadã que vem desde o século passado, com o trabalho pioneiro de Vital Brasil com as serpentes envolvendo a população. Mais recentemente a criação do Observatório de Aves potencializou em muito essa prática. Isso vai ao encontro dos objetivos do Avistar, de promover o conhecimento e conservação das aves brasileiras. A programação de 2016 reforça essa tendência e aprofunda caminhos que já vínhamos trilhando. Destacamos os cinco ciclos temáticos de palestras que complementam o Congresso Avistar, abordando temos como Cuidados em Campo, Arte Natureza e Tecnologia, Birdwatching e Unidades de Conservação, entre outros.

Blog:  Uma característica do Avistar é ir além da observação de aves, unindo ciência, turismo e cultura em um grande caldeirão. Dá para adiantar alguma surpresa?

Guto Carvalho: Bem, temos uma grande surpresa a revelar: a redescoberta de uma espécie desaparecida há décadas, extremamente ameaçada e os esforços para sua conservação. Além disso teremos o fascinante relato sobre a expedição à Serra da Mocidade, por Mario Cohn Haft.

Teremos exposições fotográficas incríveis, como a Floresta Viva de Luciano Candisani e uma inédita feira de trocas de sementes e mudas. Além disso os participantes serão convidados a participar de um concurso fotográfico sobre a biodiversidade do Butantan, com ótimos prêmios.

Os destaques continuam no lançamento de livros e sessões de autógrafos, com Terra Papagalli de Eduardo Brettas e LF Silveira, Tucanos e Araçaris de Fredy Pallinger e o livro de Cristian Dimitrius: Brasil Selvagem, só para ficar em alguns exemplos.

Blog: A presença internacional é outra constante do evento. O que esperar dos gringos nesta edição?

Guto Carvalho: Temos a honra de contar com presença de John Fitzpatrick, diretor do renomado Laboratório de Ornitoogia da Universidade de Cornell, um dos maiores centros de estudo das interações entre ornitologia e birdwatching. Além disso uma série de palestrantes da América Latina falando sobre a diversidade de aves de nossa região e também Catherine Hamilton. uma das mais importantes artistas naturalistas que estará de volta ao Avistar

Blog: O Instituto Butantan é um dos pontos mais procurados por famílias no fim de semana. Que atividades as crianças encontrarão?

Guto Carvalho: O ninho de joão-de-barro é um grande destaque, a garotada pode participar da construção do “ninho gigante” e meter a mão no barro. Além disso teremos oficinas, arte e histórias do Palmito Jussara.

Para ver a programação completa acesse http://avistarbrasil.com.br/

Dia do Observador de Aves: motivos para se preparar – e celebrar também

Jandaias-de-testa-vermelha – Foto: Zé Edu Camargo

Em 28 de abril comemora-se Dia do Observador de Aves por aqui. Os observadores formam uma comunidade que cresce a cada dia e hoje já movimenta o turismo de várias regiões pelo Brasil. Nos últimos anos o birdwatching (ou birding, ou observação de aves) ganhou um grande impulso. Esse destaque pode ser avaliado pelo grande sucesso do Avistar Brasil, um evento que este ano ocupa novamente o Instituto Butantan, em São Paulo, entre os dias 20 e 22 de maio.

O Avistar é um misto de feira, congresso e palco de exibições, com oficinas, palestras e atividades para adultos e crianças (confira a programação em http://www.avistarbrasil.com.br/). Um pouco antes disso, outro evento também promete repetir o sucesso de 2015 – o Global Big Day, um dia inteiro dedicado à observação de aves em todo o planeta, organizado pelo Cornell Lab of Ornithology e apoiado por várias entidades brasileiras, como a Save Brasil e o Observatório de Aves do Instituto Butantan (veja mais em http://ebird.org/content/brasil/noticia/global-big-day-participe/). Portanto, o Dia do Observador de Aves é em abril, mas o mês de maio também promete muita diversão e comemoração. Convém já ir se preparando.

Observadores de aves têm encontro marcado em Manaus

Tucano-grande-de-papo-branco, ave comum nos arredores de Manaus – Foto: Zé Edu Camargo

Neste fim de semana (de 17 a 19 de julho) ocorre na capital amazonense o Avistar Manaus, encontro de observadores de aves, no Bosque da Ciência do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Há palestras e oficinas para iniciantes, workshops mais aprofundados e atividades para as crianças. O encontro precede o Congresso Brasileiro de Ornitologia. Mais informações e agenda no site www.avistarbrasil.com.br.

Dez bons motivos para ir ao Avistar Brasil 2015

Maria-preta-de-penacho – Foto Zé Edu Camargo

Este ano o Avistar – mais importante evento de observação de aves no país – mostra uma novidade muito bacana, logo de cara: o lugar onde vai ocorrer. De 15 a 17 de maio (de sexta a domingo), observadores do país todo vão se reunir no Instituto Butantan, em São Paulo. Serão três dias de um concorrido congresso (com palestras de especialistas brasileiros e do exterior), uma feira com destinos de birding, hotéis, editoras de livros, produtores de equipamentos e outros expositores ligados à atividade. E muitas atividades paralelas para todas as idades. O Butantan, que por si só já é uma excelente opção de lazer nos fins de semana, vai estar ainda mais atrativo. Para facilitar a sua vida, elegemos dez grandes atrações dessa edição. Mas vale muito a pena dar um pulo no site do evento e ver a programação completa.

Um dinossauro em seu jardim 
Pirula – Paleontólogo e  autor de videos de divulgação científica
Vai explicar porque observamos dinossauros ao invés de aves
Diários de Campo
Santos D’Angelo – botânico e ornitólogo 
Apresenta sua técnica de registro de aves, baseada em desenhos feitos em cadernetas campo
Um Novo Olhar Sobre As Cidades
Fernando Fernandez   – especialista em Biologia da Conservação
Fala da  importância da observação da fauna urbana
Internet e Observação, a Ciência que Podemos Produzir 
Atila Iamarino – Canal Nerdologia do Youtube
Aproxima a ciencia cidadã e a internet
Arte Naturalista no Brasil
Dante Teixeira – ornitólogo e especialista em arte naturalista do Brasil Holandês 
Palestra sobre Arte Naturalista seguida de visita guiada ao Acervo Brasiliana no Itaú Cultural
Vida de Guia
Ciro Albano – ornitólogo e guia de observação de aves
Conta histórias de 10 anos como guia de observação, suas experiências e conquistas
Aves do Cristalino
Edson Endrigo – fotógrafo e guia de observação de aves
Lançamento do livro Aves do Cristalino, sobre a avifauna do Parque Estadual do Cristalino (MT).
História Natural de Aves
Ivan Sazima  – Zoólogo e naturalista de répteis, aves, mamíferos e interações com plantas
Fala de um ponto de vista científico, em linguagem simples, sobre como as aves vivem
Um olho no Céu, outro na terra
Giuseppe Puorto – Herpetólogo
Vai ensinar aos observadores de aves como evitar acidentes com serpentes, e o que fazer caso ocorram.
Lobo-guará e Inhambu-carapé, duas espécies ameaçadas
Marcos Amend – fotógrafo e conservacionista
O fotógrafo explica como conseguiu a imagem de uma espécie muito rara em uma situação mais rara ainda
E, de bônus:
Exposição Luis Claudio Marigo 
Obras do grande mestre da fotografia de natureza, que nos deixou em 2014.
Também haverá apresentações artísticas, como shows do Coralusp e da cantora Renata Pizi (uma apresentação só com músicas que falam de aves), além de atividades de observação na própria área verde do Butantan. Um programa imperdível para toda a família.

Avistar Patagônia, um show de aves e imagens

Mergulhão (Rollandia rolland) – Foto Dimitri Matozsko
O ano de 2013 foi de expansão e afirmação para o Avistar, evento de observação de aves que começou em São Paulo e hoje ocorre em diversas capitais do Brasil. A coroação desse sucesso foi o Avistar Patagônia, no fim do ano, que reuniu observadores brasileiros e sul-americanos no Chile. O blog bateu um papo com Guto Carvalho, organizador do evento e uma das figuras mais respeitadas do birding no Brasil.

Blog: Quais eram os objetivos do Avistar Patagônia? Foram todos cumpridos?

Guto Carvalho: Queríamos testar um novo modelo de evento – um workshop fotográfico de nível internacional – e ver a receptividade do público a esse produto. Sim, foi bem recebido, a resposta do público brasileiro demonstrou maturidade e disposição a participar de um evento diferenciado. Os brasileiros foram maioria no evento. Por outro lado tivemos poucos participantes chilenos e argentinos, o que demonstrou que esse segmento tem que ser melhor trabalhado junto a esses mercados.

Blog: Quais os pontos altos da expedição?

Guto Carvalho: Cenário, luz e espécies. Embora não seja o ponto principal, a paisagem é magnífica, altamente inspiradora, seja pela beleza cênica, seja pela diversidade. Exploramos bosques, montanhas, lagos, fiordes e tundras. Em cada um desses locais a beleza cênica foi fundamental para o astral geral e qualidade do trabalho.

A avifauna é um destaque importante. Por um lado aves grandes, como cisnes, marrecos e gansos, facilmente avistáveis e sempre em condições privilegiadas de enquadramento e luz. Por outro lado, espécies muito diferenciadas, como o pica-pau-de-magalhães, o condor, o periquito-austral, o caracará-da-cordilheira e dezenas de outros. Mesmo o tico-tico tem o seu charme, ele é migratório, maior e mais robusto que o brasileiro. Por outro lado espécies relativamente raras no Brasil, como o colegial (Lessonia rufa) são muito frequentes por lá.

A luz é  mais horizontal e suave, a latitude alta deixa a luz mais baixa. Isso quer dizer que muda o ângulo de incidência, o que torna a luz mais volumétrica, mais bonita de modo geral, com alta produtividade o dia todo, ao contrário das regiões tropicais, onde o sol alto torna quase inviável o trabalho entre 11h e 16h…

Finalmente, temos de destacar qualidade do atendimento do nosso parceiro Remota. Um hotel de alto nível e com um atendimento super humano e caloroso. Incrível.

Blog: Como foi a troca de experiências entre brasileiros e estrangeiros em relação à observação de aves?

Guto Carvalho: O evento foi no Chile, mas o intercâmbio foi mais internacional.

Os brasileiros têm uma maneira muito especial de atuar em campo, mais objetiva e focada em resultados, fruto da competitividade estimulada pela fotografia.

Alvaro Jaramillo, que é o grande guia ornitológico chileno, mostrou experiencia e tranquilidade além de visão global muito interessante. Apresentou uma grande aula sobre a avifauna chilena e especialmente a visão comparada de espécies e nichos. Muito legal.

Arthur Morris e Denise Ippolito mostraram um trabalho de pós-produção muito grande, que rompe com algumas das premissas do modelo brasileiro. Em campo, preferem passar um grande tempo trabalhando um tema, explorando todas as possibilidades de um casal de cisnes por exemplo, sem o compromisso de buscar mais e mais espécies. Na pós-produção, trabalham o retoque de fotos para eliminar galhos e aperfeiçoar as fotografias. Essas são práticas frequentes para eles, mas totalmente destoantes do repertório tradicional dos fotógrafos brasileiros, normalmente mais puristas e focados na foto perfeita, sem retoques.

David Tippling trouxe a sua grande capacidade de contar histórias. Suas fotos têm sempre um contexto e uma qualidade sensível difícil de ser encontrada em fotógrafos de aves (e de natureza).

Edson Endrigo apresentou uma incrível capacidade de adaptação e de conhecimento das aves, mesmo em ambiente totalmente diferente do seu habitual. Rapidamente dominou as espécies e conseguiu resultados espetaculares.

Octavio, com sua serenidade chegou antes e realizou uma fantástica expedição em busca de fotos de puma. Além de belíssimas fotos de paisagem, Octavio trouxe essa vivência e olhos de ver puma para o grupo.

Blog: Quais os planos do Avistar para 2014? E quais são as novidades?

Guto Carvalho: A principal novidade é articulação em rede dos promotores de Avistar em todo o Brasil. Realizamos um workshop de avaliação e intercâmbio, onde cada equipe apresentou suas técnicas e conquistas nos Avistar em todo o brasil. Disso articulamos uma rede de atuação e produção e de eventos, que vai impactar positivamente a organização de todos os Avistar e poder colaborar com todos os eventos de aves no Brasil.

Fotografando condores – Foto: Dimitri Matoszko

Avistar à vista!

Condor na Patagônia: estrela do workshop em outubro. Foto: Arthur Morris/Divulgação

O evento que entrou de vez no calendário dos apaixonados por aves já tem data: 17 a 19 de maio em São Paulo. Mas o certo, talvez, seria dizer que ele já tem datas. Porque a edição de SP é apenas a primeira do ano. Já estão confirmados encontros no Rio, em Brasília, Santa Catarina e Minas Gerais. E a cereja do bolo, em outubro, é o Avistar Patagônia, um workshop de fotografia de aves com nomes internacionais de peso.

O evento em São Paulo abre o calendário com o Avistar Talks, um encontro delicioso com palestrantes multidisciplinares, que falam dos mais variados temas – a paixão pela aves é apenas um fio condutor comum. A feira, no Parque Villa Lobos, tem desde boas pechinchas em livros e viagens até encontros mais aprofundados com pesquisadores e fotógrafos. Esse clima é repetido nas outras edições do Avistar pelo Brasil, que sempre reúnem bom público e gente do meio.

Mas a grande novidade este ano é o Avistar Patagônia. Uma viagem a Torres del Paine com a possibilidade de aprender com grandes fotógrafos, como   Arthur Morris, David Tipling e o brasileiro Edson Endrigo, pesquisadores como Alvaro Jaramillo e especialistas em tratamento de imagens como Denise Ipolitto e Octávio Campos Salles. Tudo isso em meio à paisagem monumental da Patagônia, em uma estação especial para a observação e fotografia de aves.

Mais informações sobre o Avistar? Clique aqui. Para acessar o hotsite do Avistar Patagônia, é só entrar aqui.

 

 

A ave mais bonita do Brasil

Crejoá (Cotinga maculata). Foto de Ciro Albano – NE Brazil Birding

«Beauty is truth, truth beauty,» —  that is all
Ye know on earth, and all ye need to know. 

“Beleza é a verdade, a verdade a beleza”- É tudo o que há para saber, e nada mais. Os versos de John Keats (em uma tradução de Augusto de Campos) me vieram à mente enquanto eu acompanhava a apresentação do pesquisador Fernando Straube, no último Avistar Talks, em São Paulo. O tema era “O Poder da Beleza”. Straube mostrava algumas características das aves que nos chamavam a atenção, como as cores e formatos. A ideia era despertar o público para a questão: “o que nos faz achar que uma ave é bela?”. A certa altura, ele mencionou uma enquete que havia feito com ornitólogos, observadores e fotógrafos que conheciam bem a avifauna brasileira. A pergunta era: “Quais são as cinco aves mais bonitas do Brasil?”. Assim, a seco, sem explicação. E os resultados foram surpreendentes.

Participaram da enquete 32 pessoas, de várias regiões do país e até do exterior. Straube computou os dados após receber as respostas. Uma delas veio em branco, com um recado curto e direto: “Não vou responder, pois essa enquete não faz sentido!”. Alguns disseram que só votaram nas aves que já haviam observado na natureza. Outros relacionaram as aves sem nenhuma explicação. Não era preciso colocar uma ordem de preferência entre as cinco votadas.

Computados os votos, uma primeira surpresa. Nada menos do que 127 espécies (das 1832 na lista brasileira do CBRO) receberam votos. Destas 99 receberam um único voto. Ou seja, a falta de convergência entre os votantes foi grande – mostrando a diversidade de opiniões quanto ao que é a beleza na avifauna. Por fim destacou-se uma ave que poderíamos chamar de vencedora: o crejoá (Cotinga maculata), espécie da Mata Atlântica que só tem registros recentes no sul da Bahia. Ela teve 10 votos. Na sequência, vieram o gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus), com 9 votos, o galo-da-serra (Rupicola rupicola), com 7 votos, e o pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa), com 5 votos. Daí para baixo havia alguns empates. “Deu para perceber que nem só características físicas da ave contaram na escolha, mas também a dificuldade de observação e até o status de conservação”, diz Fernando Straube.

De todo modo, fica uma conclusão. Estamos bem servidos quanto à beleza das nossas aves, já que nem mesmo os conhecedores conseguem escolher poucas espécies. Sorte de quem observa aves por aqui. Sorte de quem pode ainda ver o crejoá, o galo-da-serra, o soldadinho-do-araripe livres na natureza. E o título deste post é só uma provocação, claro. Tente eleger as suas cinco aves mais bonitas do Brasil, mesmo que isso não faça sentido. Beleza é a verdade.

Pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa). Foto de Ciro Albano – NE Brazil Birding

Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanii). Foto de Ciro Albano – NE Brazil Birding

O mercado de turismo e a observação de aves

Apenas alguns anos atrás, era coisa de doido imaginar um mercado para o birding no Brasil. Atividade antiquíssima na Europa e na América do Norte, a observação de aves engatinhava por aqui. Contavam-se nos dedos os hotéis com alguma estrutura e os guias especializados. Apenas para comparação, dados de 2006 do U.S. Fish & Wildlife Service apontavam que o birdwatching gerava uma contribuição de US$ 36 bilhões à economia norte-americana. Aqui, no entanto, tudo parecia mal parado.

Mas apenas parecia. O birding avançou cinquenta anos nos últimos cinco. E as comprovações começam a aparecer. Com números, inclusive. Os primeiros resultados do Censo Brasileiro de Observação de Aves traz resultados surpreendentes. Promovido pela Avistur com o apoio de outras entidades, ele foi dividido em dois: um censo para birders e outro para hotéis/destinos. É neste último que estão as boas surpresas.

Quem esteve na feira Avistar este ano em São Paulo ou no Rio percebeu a grande presença de cidades turísticas divulgando seus locais de birding. O Censo vem confirmar o surgimento dessas estruturas específicas. Foram 500 respostas. Ou seja, 500 estabelecimentos que têm alguma relação com a atividade, um número excelente. Você pode conferir todos os resultados aqui, mas vamos destacar alguns pontos.

Dois terços dos estabelecimentos consultados já receberam observadores de aves. E 25% deles começaram na atividade nos dois últimos anos (2010 e 2011), um crescimento fantástico. Quase metade são pousadas, que associam o birding à hospedagem. E a maioria começou a receber birders depois de convidar pesquisadores/fotógrafos/guias para conhecer o local. Aqui vale um parêntese. Apesar desse número, nem só de ações isoladas vive a divulgação do birding. A Associação de Hotéis Roteiros de Charme organizou este ano entre seus associados uma iniciativa para promover a atividade – deve publicar em breve em seu site uma área só para o birding, com a lista de aves de cada hotel participante.

Conclusão, começamos a ter um mercado de turismo de observação de aves no Brasil. E ele cresce a taxas chinesas. Um turismo sustentável, que exige áreas conservadas – e gera recursos para a conservação. Nada melhor.

Vem aí o Avistar Brasília

Alô, alô, birders do Planalto Central. Em agosto (nos dias 11 e 12) ocorre na capital federal o Avistar Brasília, evento que os observadores não podem perder. Vão rolar palestras, oficinas, atividades para as crianças e passeios pelo Jardim Botânico de Brasília (que, de quebra, é um belo local para observar aves). Mais informações no site do evento.