anambé

As torres do Cristalino

Rio Cristalino. Foto Zé Edu Camargo.

Na Amazônia, torres de observação costumam ser imprescindíveis para o birding. A explicação é simples: boa parte das espécies passa a vida na copa das árvores. Assim, observá-las do chão é tarefa muito difícil – não raro, impossível. No Brasil, contam-se nos dedos as torres de observação em meio à selva. E duas delas estão em um só lugar, a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) do Rio Cristalino, em Mato Grosso, na divisa do Pará. Ali está um dos pontos de sonho para qualquer birder brasileiro (e mesmo gringo), o Cristalino Jungle Lodge. Há pouco mais de um ano, estive ali preparando uma reportagem para a revista Viagem (publicada em junho do ano passado), acompanhado do fotógrafo (e também birder) Marcos Amend. Passamos quatro dias em busca de imagens. Não só de aves: foram ariranhas, jacarés, lontras, porcos-do-mato, jiboias e um sem-número de insetos (como as mais coloridas e imensas borboletas que já vi). Subimos o rio Cristalino até o parque estadual, em busca de onças – que não deram o ar da graça. E fizemos até uma incursão noturna na selva.

Mas é nas torres do Cristalino que o bicho pega – literalmente. O guia Jorge, que nos acompanhou, tem olhos e ouvidos atentos, acionando o playback para atrair um sem-número de aves diferentes a todo instante. Graças a ele vivi um dos momentos mais divertidos durante uma saída até hoje. Jorge atraiu um bando misto que passava perto da torre. E bando misto, por ali, significa uma turma do barulho, com saíras, gaturamos e até beija-flores. Era tanto bicho que eu não sabia onde focar primeiro. E rendeu ótimas fotos.

Nas torres também podem ser encontradas aves mais raras. Com sorte, até uma ou outra nem descrita pela ciência. Não se pode esquecer que ali foi descoberta uma nova espécie de ave de rapina, o falcão-críptico (Micrastur mintoni) há apenas dez anos. Entre as figurinhas não muito fáceis que encontrei, o capitão-de-cinta e o anambé-azul renderam os momentos mais bacanas. E também a marianinha-de-cabeça-amarela, uma espécie de psicitacídeo muito interessante, e que permitiu uma boa aproximação.

Chegar ao Cristalino é bem fácil. O acesso por avião é feito até Alta Floresta, no Mato Grosso. Dali são duas horas de 4×4 e mais uma hora e meia de barco, atravessando o Teles Pires e subindo o próprio rio Cristalino. Ah, os mesmo donos têm um hotel em Alta Floresta, onde há um trecho pequeno de mata. Pois bem, ali um casal de harpias (ou gaviões-reais) resolveu nidificar, já faz alguns anos. E em 2012 estava com um filhote. Coisa de cinema.

Anambé-azul. Foto Zé Edu Camargo

 

 

Marianinha-de-cabeça-amarela. Foto Zé Edu Camargo

 

Gaturamo-do-norte. Foto Zé Edu Camargo

 

Araçari-de-pescoço-vermelho. Foto Zé Edu Camargo

 

Garça-real – Foto: Zé Edu Camargo