cerrado

Casal viaja o Brasil passarinhando e educando

Uirapuru-laranja – Foto: Renato Rizzaro
Chifre-de-ouro – Foto: Renato Rizzaro

Há histórias tão ricas e vívidas que parecem ficção, enredo de filme, poesia – tudo junto e misturado. A trajetória do casal Renato Rizzaro e Gabriela Giovanka é assim. Com garra e ralação, transformaram uma área em RPPN, na Mata Atlântica de Santa Catarina: a Reserva Rio das Furnas.

Até que, em 2010, o sonho escorreu pelas encostas do morro – a área da reserva foi atingida por um deslizamento causado pelas chuvas. Desalojados por um tempo, eles resolveram colocar o pé na estrada. Daí nasceu o primeiro projeto de educação ambiental – de lá para cá já foram 34 mil quilômetros (quase uma volta ao mundo) pelas estradas do Brasil. Nas paradas, eles organizam a Roda de Passarinho, que ensina observação de aves às crianças de um modo muito divertido.

As viagens também já renderam cinco pôsteres sobre a avifauna dos nossos biomas – Mata Atlântica, Pampa, Amazônia, Pantanal e Cerrado. Para produzir este último eles visitaram lugares tão incríveis como a Chapada dos Veadeiros e a Serra da Canastra. Os deliciosos relatos de viagem renderam um blog, onde você também pode comprar os pôsteres – o dinheiro ajuda na divulgação da observação de aves, na conservação da Mata Atlântica (a reserva já está se regenerando após o acidente) e nos projetos futuros de viagem dos dois. A próxima aventura, aliás, começa ainda em 2015 – desta vez eles vão visitar a Caatinga, fechando assim a série dos biomas.

Poster Aves do Cerrado – Reprodução
Queixadas – Foto: Renato Rizzaro
Seriema – Foto: Renato Rizzaro
Chapada dos Veadeiros – Foto: Renato Rizzaro

 

A força do Cerrado em Cuiabá

Parque Mãe Bonifácia, uma ilha de cerrado em meio a Cuiabá. Foto Zé Edu Camargo

Quase toda capital no Brasil tem um parque urbano onde se pode observar aves: os jardins botânicos no Rio e em São Paulo, o Parque da Cidade em Brasília, o Parque Mangabeiras em Belo Horizonte – e por aí vai. A capital de Mato Grosso não foge à regra, mas seu parque mais querido mostra uma diversidade impressionante. O bem-cuidado Parque Mãe Bonifácia é cortado por alamedas onde, nos fins de tarde, muita gente vem passear, brincar, correr. Mesmo com o movimento, há cantinhos no parque onde pode-se observar diversas aves do cerrado, que moram ali ou usam a região como ponto de passagem. De sabiás a graveteiros, de surucuás a garrinchões, a avifauna local pode ser avistada sem muito esforço. Uma opção interessante para quem visita a cidade, ou está por ali de passagem, antes de seguir para o Pantanal, a Chapada dos Guimarães ou outro ponto turístico do estado.

 

 

Balança-rabo-de-máscara (Polioptila dumicola). Foto Zé Edu Camargo

 

 

 

 

Chorão (Sporophila leucoptera). Foto Zé Edu Camargo

 

 

Onde observar aves em Brasília

 

Tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata). Foto Hugo Viana.

Quem chega ao Distrito Federal de avião percebe sem esforço: a cidade é cercada por extensos trechos de mata. Assim como o Plano Piloto, eles também fizeram parte do projeto da capital. Servem para proteger os mananciais de água. Sorte dos birdwatchers que moram em Brasília, e também daqueles que conseguem algumas horas nas viagens a trabalho por lá, pois tudo é muito perto. A meu pedido, o fotógrafo Hugo Viana fez uma seleção dos melhores lugares (abertos à visitação) para se observar aves nos arredores:

1) Parque Nacional de Brasília (PARNA-DF)
2) Hermida Dom Bosco
3) Parque Olhos D’água
4) Floresta Nacional de Brasília (FLONA-DF)
5) Parque da Cidade
6) Jardim Botânico

Hugo é um dos participantes de um belo projeto no DF, chamado Oito Fotógrafos e Um Destino, junto com Bertrando Campos, Evando Lopes, João Martins, Margi Moss, Roberto Aguiar, Rodrigo D’Alessandro e Tancredo Maia. Eles fazem o levantamento da avifauna na Estação Ecológica Águas Emendadas, nos arredores de Brasília. São do Hugo Viana as fotos que acompanham este post, todas de espécies registradas nos arredores da cidade.

Brasília está em uma autêntica área de cerrado, bioma muito ameaçado no Brasil. O ano de 2011 foi especialmente difícil, principalmente por causa das queimadas, em função da prolongada estiagem que afetou a região. Mas o verão chegou trazendo chuva, e agora é uma boa época para tentar fotos de aves endêmicas do cerrado, como o tapaculo-de-colarinho e a campainha-azul.

Balança-rabo-de-máscara (Polioptila dumicola), Abertura F5, Velocidade 1/400, Distância Focal 500 mm. Foto Hugo Viana.
Campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens), Abertura F6.3, Velocidade 1/800, Distância Focal 500 mm. Foto Hugo Viana.
Sebinho-de-olho-de-ouro – Foto: Hugo Viana

 

Estalador (Corythopis delalandi) – Foto Hugo Viana.