mercado

O mercado de turismo e a observação de aves

Apenas alguns anos atrás, era coisa de doido imaginar um mercado para o birding no Brasil. Atividade antiquíssima na Europa e na América do Norte, a observação de aves engatinhava por aqui. Contavam-se nos dedos os hotéis com alguma estrutura e os guias especializados. Apenas para comparação, dados de 2006 do U.S. Fish & Wildlife Service apontavam que o birdwatching gerava uma contribuição de US$ 36 bilhões à economia norte-americana. Aqui, no entanto, tudo parecia mal parado.

Mas apenas parecia. O birding avançou cinquenta anos nos últimos cinco. E as comprovações começam a aparecer. Com números, inclusive. Os primeiros resultados do Censo Brasileiro de Observação de Aves traz resultados surpreendentes. Promovido pela Avistur com o apoio de outras entidades, ele foi dividido em dois: um censo para birders e outro para hotéis/destinos. É neste último que estão as boas surpresas.

Quem esteve na feira Avistar este ano em São Paulo ou no Rio percebeu a grande presença de cidades turísticas divulgando seus locais de birding. O Censo vem confirmar o surgimento dessas estruturas específicas. Foram 500 respostas. Ou seja, 500 estabelecimentos que têm alguma relação com a atividade, um número excelente. Você pode conferir todos os resultados aqui, mas vamos destacar alguns pontos.

Dois terços dos estabelecimentos consultados já receberam observadores de aves. E 25% deles começaram na atividade nos dois últimos anos (2010 e 2011), um crescimento fantástico. Quase metade são pousadas, que associam o birding à hospedagem. E a maioria começou a receber birders depois de convidar pesquisadores/fotógrafos/guias para conhecer o local. Aqui vale um parêntese. Apesar desse número, nem só de ações isoladas vive a divulgação do birding. A Associação de Hotéis Roteiros de Charme organizou este ano entre seus associados uma iniciativa para promover a atividade – deve publicar em breve em seu site uma área só para o birding, com a lista de aves de cada hotel participante.

Conclusão, começamos a ter um mercado de turismo de observação de aves no Brasil. E ele cresce a taxas chinesas. Um turismo sustentável, que exige áreas conservadas – e gera recursos para a conservação. Nada melhor.

Novo censo traça perfil do birdwatcher brasileiro

O mercado brasileiro de observação de fauna (e de aves, em particular) cresce a olhos vistos. Hoje há muito mais hotéis especializados, guias, agências de viagem, fabricantes de equipamentos e cobertura da mídia do que dez anos atrás. Mas ainda falta informação sobre a mola propulsora disso tudo: o observador, o birdwatcher, o turista, o estudioso ou qualquer outro nome que você queira dar. Por isso é mais que bacana a inicitaiva do grupo Avistur, com o apoio de diversos portais e blogs especializados: o primeiro Censo Brasileiro de Observação de Aves. É uma pesquisa super fácil de responder (basta acessar esse o link, levei cinco minutos), que terá seus resultados abertos (ou seja, todos poderão consultar) a partir de maio. Claro, quanto mais gente responder, melhor. E não é preciso ser birdwatcher de carteirinha para fazer parte. Basta ter algum interesse no assunto.

Observador de aves em ação no Rio Cristalino, MT. Foto: Zé Edu Camargo