Month: February 2014

Livro mostra as aves do litoral brasileiro

Capa do livro de Edson Endrigo

O fotógrafo Edson Endrigo é um incansável divulgador da nossa avifauna. Com paciência e determinação, construiu uma obra monumental – uma série de livros sobre as nossas aves, dividida por biomas (Caatinga, Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica, Pampa e Cerrado). Fechando a série, a cereja do bolo chega agora às lojas: o livro tem o título de Aves – Ambientes Costeiros. São 224 páginas de ensolaradas fotos das nossas aves litorâneas – muitas delas pouco registradas até hoje. Para concluir o livro, ele visitou lugares tão remotos e díspares como a Ilha dos Lençóis (MA) e os trechos desertos do litoral gaúcho (RS), além de locais paradisíacos, como as praias isoladas de Ubatuba (SP) ou a ilha de Fernando de Noronha (PE). São 100 aves registradas (veja algumas fotos abaixo). Um livro para degustar com calma e admiração. À venda pelo site www.avesefotoseditora.com.br.

Maçarico-de-papo-vermelho (<em>Calidris canutus</em>)
Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus)
Saracura-do-mangue (Aramides mangle)
Savacu-de-coroa (Nyctanassa violacea)

Avistar Patagônia, um show de aves e imagens

Mergulhão (Rollandia rolland) – Foto Dimitri Matozsko
O ano de 2013 foi de expansão e afirmação para o Avistar, evento de observação de aves que começou em São Paulo e hoje ocorre em diversas capitais do Brasil. A coroação desse sucesso foi o Avistar Patagônia, no fim do ano, que reuniu observadores brasileiros e sul-americanos no Chile. O blog bateu um papo com Guto Carvalho, organizador do evento e uma das figuras mais respeitadas do birding no Brasil.

Blog: Quais eram os objetivos do Avistar Patagônia? Foram todos cumpridos?

Guto Carvalho: Queríamos testar um novo modelo de evento – um workshop fotográfico de nível internacional – e ver a receptividade do público a esse produto. Sim, foi bem recebido, a resposta do público brasileiro demonstrou maturidade e disposição a participar de um evento diferenciado. Os brasileiros foram maioria no evento. Por outro lado tivemos poucos participantes chilenos e argentinos, o que demonstrou que esse segmento tem que ser melhor trabalhado junto a esses mercados.

Blog: Quais os pontos altos da expedição?

Guto Carvalho: Cenário, luz e espécies. Embora não seja o ponto principal, a paisagem é magnífica, altamente inspiradora, seja pela beleza cênica, seja pela diversidade. Exploramos bosques, montanhas, lagos, fiordes e tundras. Em cada um desses locais a beleza cênica foi fundamental para o astral geral e qualidade do trabalho.

A avifauna é um destaque importante. Por um lado aves grandes, como cisnes, marrecos e gansos, facilmente avistáveis e sempre em condições privilegiadas de enquadramento e luz. Por outro lado, espécies muito diferenciadas, como o pica-pau-de-magalhães, o condor, o periquito-austral, o caracará-da-cordilheira e dezenas de outros. Mesmo o tico-tico tem o seu charme, ele é migratório, maior e mais robusto que o brasileiro. Por outro lado espécies relativamente raras no Brasil, como o colegial (Lessonia rufa) são muito frequentes por lá.

A luz é  mais horizontal e suave, a latitude alta deixa a luz mais baixa. Isso quer dizer que muda o ângulo de incidência, o que torna a luz mais volumétrica, mais bonita de modo geral, com alta produtividade o dia todo, ao contrário das regiões tropicais, onde o sol alto torna quase inviável o trabalho entre 11h e 16h…

Finalmente, temos de destacar qualidade do atendimento do nosso parceiro Remota. Um hotel de alto nível e com um atendimento super humano e caloroso. Incrível.

Blog: Como foi a troca de experiências entre brasileiros e estrangeiros em relação à observação de aves?

Guto Carvalho: O evento foi no Chile, mas o intercâmbio foi mais internacional.

Os brasileiros têm uma maneira muito especial de atuar em campo, mais objetiva e focada em resultados, fruto da competitividade estimulada pela fotografia.

Alvaro Jaramillo, que é o grande guia ornitológico chileno, mostrou experiencia e tranquilidade além de visão global muito interessante. Apresentou uma grande aula sobre a avifauna chilena e especialmente a visão comparada de espécies e nichos. Muito legal.

Arthur Morris e Denise Ippolito mostraram um trabalho de pós-produção muito grande, que rompe com algumas das premissas do modelo brasileiro. Em campo, preferem passar um grande tempo trabalhando um tema, explorando todas as possibilidades de um casal de cisnes por exemplo, sem o compromisso de buscar mais e mais espécies. Na pós-produção, trabalham o retoque de fotos para eliminar galhos e aperfeiçoar as fotografias. Essas são práticas frequentes para eles, mas totalmente destoantes do repertório tradicional dos fotógrafos brasileiros, normalmente mais puristas e focados na foto perfeita, sem retoques.

David Tippling trouxe a sua grande capacidade de contar histórias. Suas fotos têm sempre um contexto e uma qualidade sensível difícil de ser encontrada em fotógrafos de aves (e de natureza).

Edson Endrigo apresentou uma incrível capacidade de adaptação e de conhecimento das aves, mesmo em ambiente totalmente diferente do seu habitual. Rapidamente dominou as espécies e conseguiu resultados espetaculares.

Octavio, com sua serenidade chegou antes e realizou uma fantástica expedição em busca de fotos de puma. Além de belíssimas fotos de paisagem, Octavio trouxe essa vivência e olhos de ver puma para o grupo.

Blog: Quais os planos do Avistar para 2014? E quais são as novidades?

Guto Carvalho: A principal novidade é articulação em rede dos promotores de Avistar em todo o Brasil. Realizamos um workshop de avaliação e intercâmbio, onde cada equipe apresentou suas técnicas e conquistas nos Avistar em todo o brasil. Disso articulamos uma rede de atuação e produção e de eventos, que vai impactar positivamente a organização de todos os Avistar e poder colaborar com todos os eventos de aves no Brasil.

Fotografando condores – Foto: Dimitri Matoszko