Month: July 2015

O Butantan também tem passarinho

Papagaio-verdadeiro – Foto: Zé Edu Camargo

Os brasileiros conhecem o Instituto Butantan pela rica história na produção de soro antiofídico e de vacinas. Os paulistanos sabem que a instituição mantém uma das melhores áreas de lazer da cidade, com museus, exposições e uma bela área livre.

E, mais recentemente, as crianças ligadas em tevê associam o Butantan à série infantil Buuu, do canal pago Gloob. A tudo isso, soma-se mais uma atividade: a observação de aves. O sucesso do último Avistar (evento que congrega observadores de todo o país) por lá é a prova de que o lugar tem vocação para receber os birdersMas outra iniciativa vem chamando a atenção e incluindo muita gente na atividade: o #vempassarinhar, uma visita guiada à mata do Instituto (que é fechada ao público no dia-a-dia) para observar as aves que ocorrem por ali. São 60 hectares com diversas espécies da Mata Atlântica. Sempre há surpresas em cada passarinhada por ali. Nas fotos que acompanham o post vocês podem ver algumas espécies que foram registradas ali, como o mocho-diabo (uma espécie de coruja) e o papagaio-verdadeiro.

O #vempassarinhar é a face visível de um outro trabalho muito importante que o Museu Biológico do Instituto Butantan desenvolve: o Observatório de Aves, que realiza pesquisas e monitoramento de avifauna, além da vigilância ambiental em saúde através das aves silvestres. Para saber como participar do #vempassarinhar, acompanhe a comunidade do Observatório de Aves no facebook. As visitas guiadas (grátis) ocorrem uma vez por mês, sempre em um sábado.

Observadores de aves têm encontro marcado em Manaus

Tucano-grande-de-papo-branco, ave comum nos arredores de Manaus – Foto: Zé Edu Camargo

Neste fim de semana (de 17 a 19 de julho) ocorre na capital amazonense o Avistar Manaus, encontro de observadores de aves, no Bosque da Ciência do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Há palestras e oficinas para iniciantes, workshops mais aprofundados e atividades para as crianças. O encontro precede o Congresso Brasileiro de Ornitologia. Mais informações e agenda no site www.avistarbrasil.com.br.

Um tour de observação de aves pelo Peru

Quetzal-de-cabeça-dourada (Pharomachros auriceps) – Foto: Adrian Eisen Rupp
Nossos vizinhos estão com tudo. O Peru vem se firmando no mapa mundial de birding graças a uma conjunção especial de fatores. Na geografia é um país diverso, da costa com pouquíssima chuva à selva amazônica, passando pelos Andes. Isso se reflete na grande variedade de aves (mais de 1800 espécies registradas). São muitas áreas de conservação (as reservas protegidas ocupam mais de 12% da área total do país). E o Peru tem se esforçado para atrair observadores, criando infraestrutura e promovendo a atividade no exterior. Os brasileiros já descobriram esses roteiros. O fotógrafo e guia de birdwatching Adrian Eisen Rupp tem organizado bem-sucedidas incursões pelo país. Aí embaixo um pequeno bate-bola com ele.

Blog: Quando se fala em Peru, todos associam com os Andes e o Pacífico. Quais outras regiões o país tem para a prática de observação de aves?

Adrian: Existem muitas opções em praticamente todo o país, e além da famosa península de Paracas e a região andina, temos as Yungas a leste da Cordilheira dos Andes que cortam o país de norte a sul, e a Amazônia. Cada vez que falamos em qualquer um destes biomas vale lembrar que existem as áreas de endemismo, e assim vários destinos em um mesmo bioma, mas sempre tendo aves diferentes para observar.

Blog: Quais as diferenças entre a Amazônia peruana e a brasileira?

Adrian: Com exceção da Amazônia pré-andina, não há diferença. A avifauna encontrada na bacia do Rio Madre de Díos remete a avifauna encontrada ao longo da Bacia do Rio Madeira no Brasil, temos ainda o Rio Purus que nasce no Peru e adentra o estado do Acre no Brasil, e a avifauna da bacia do Rio Amazonas corresponde a região biogeográfica do oeste do estado do Amazonas no Brasil. O diferencial fica pela infraestrutura turística para conhecer estas regiões no Peru, que é muito superior as correspondentes no lado brasileiro.

Blog: Quais são os principais objetivos de uma viagem de birding à região?

Adrian: Os destinos preferidos são os que oferecem roteiros de observação que mesclam os Andes, as Yungas e a Amazônia, tanto do norte do Peru quanto no sul. Uma viagem destas permite a observação de muitas espécies em poucos dias de viagem, e em trajetos relativamente curtos.

Blog: E a infraestrutura do país, como está? O que um observador pode esperar?

Adrian: O Peru é um país privilegiado por ter Machu Picchu, o que motivou investimentos no setor turístico que vão desde uma ampla rede de hotéis e eco-lodges até a formação acadêmica dos profissionais do ramo. Todo esse profissionalismo envolvido com o turismo arqueológico influenciou na qualidade do serviço oferecido no turismo de natureza. A maioria dos lodges tem alimentadores para aves, as trilhas são limpas, o café da manhã é servido bem cedo, muitos lodges amazônicos possuem torres para observação de aves e, mesmo nas áreas mais remotas do país, você encontra uma ótima infraestrutura a preços acessíveis.

O guia está organizando grupos para viagens ao Peru em julho e outras datas do segundo semestre. Mais informações pelo email birding@adrianrupp.com ou pelo site www.adrianrupp.com.
Socó-boi-escuro (Tigrisoma fasciatum) – Foto: Adrian Eisen Rupp
Sanhaçu-de-coleira-dourada (Iridosornis jelskii) – Foto: Adrian Eisen Rupp
Sanhaçu-de-cabeça-preta (Buthraupis montana) – Foto: Adrian Eisen Rupp