Month: December 2015

Dez dicas para começar a observar aves

Saíra-militar, ou saíra-de-lenço, espécie da Mata Atlântica – Foto: Zé Edu Camargo

Bom, se você já pensou um dia praticar o birdwatching e não sabia por onde começar, seus problemas (ou suas desculpas…) acabaram. Aqui está um pequeno guia sobre esta atividade divertida, inclusiva e que pode ser praticada por todas as idades. Vamos lá?

1) Comece por perto – Você vive em um dos melhores países para a observação de aves no mundo. O Brasil tem quase 2 mil espécies, das 10 mil conhecidas pela ciência. Então, aproveite isso. Na verdade, é mais do que provável que você consiga identificar um punhado de aves sem sair da cama, logo ao acordar. Quem nunca escutou um bem-te-vi, um sabiá-laranjeira ou um bando de periquitos no início da manhã? Eles estão em todo lugar. Se você sair de casa e caminhar para a praça ou o parque mais próximo, o número de espécies que você pode identificar pode chegar a algumas dezenas.

2) Faça listas –  Anotar em um caderninho (ou no seu celular) as espécies que você viu e identificou é o primeiro passo. De certo modo, todo observador é um colecionador de figurinhas – e os álbuns você mesmo cria. Pode ser o álbum Aves Que Vi na Vida, o álbum Aves do Parque X ou o álbum Aves do Mês de Setembro. Os guias de campo, livros com ilustrações, fotos e informações sobre as espécies, são uma boa leitura para acelerar o seu processo de aprendizagem. Nos últimos tempos vários (e ótimos) guias de campo têm sido publicados no Brasil. Alguns abrangem toda a nossa avifauna, outros são específicos para biomas (Mata Atlântica, Cerrado) ou de alguns lugares (Guia das Aves do Rio de Janeiro, Guia das Aves do Planalto Central, Guia das Aves do Parque do Ibirapuera…). Essas publicações também ajudam muito na hora de fazer uma lista.

3) Use a internet – No computador da sua casa ou em seu celular há uma infinidade de sites e aplicativos com informações sobre as aves. Mas, para atalhar caminho, recomendamos que você dê uma olhadinha no www.wikiaves.com.br. É um site colaborativo e gratuito que permite às pessoas compartilhar fotos e sons de aves brasileiras. Observadores mais experientes auxiliam os mais novos na identificação. E cada espécie tem uma página, com fotos, sons, características, comportamento, hábitat. Você pode também procurar a lista de aves que ocorrem na sua cidade e ordenar essa lista pelo número de registros. Começar a diferenciar as 30 ou 50 mais comuns é um ótimo primeiro passo. Depois vocês vai querer descobrir seus lifers, palavrinha que indica as aves que você ainda não viu. Veja no fim do post outros links úteis para quem está começando.

4) Não tenha vergonha de perguntar – Algumas espécies são muito parecidas, mesmo aos olhares mais atentos. “Ele era pequeno, amarelinho, com as asas marrons e o bico preto” é uma descrição que serviria para diversas espécies da nossa fauna. Então buscar ajuda de observadores mais experientes é fundamental. Se você não conhecer nenhum, sem problema. Há diversas comunidades no Facebook (além do próprio wikiaves) em que você pode procurar ajuda para identificar uma aves através de uma foto, um som gravado ou mesmo uma descrição.

5) Compre um binóculo – As aves nem sempre permitem uma aproximação suficiente para que você consiga diferenciar detalhes. Um binóculo, uma luneta ou mesmo uma câmera com zoom podem resolver esse problema. A escolha é sua e você não precisa gastar rios de dinheiro. Há binóculos de todos os preços e formatos. Vale a pena testar e escolher um que caiba no seu orçamento.

6) Acorde cedo – Não é lenda, a atividade das aves é mais intensa logo nas primeiras horas da manhã, principalmente em um país tropical como o nosso. O fim da tarde também costuma ser muito produtivo. Mas, é claro, essa regra não se aplica a todas as espécies e todos os lugares, é só uma noção geral. Em algum momento da sua história como observador você vai querer sair à noite para ver as corujas e os bacuraus, por exemplo. Mas isso já é outra história.

7) Chame os amigos – Um dos aspectos mais bacanas da observação de aves é que ela se torna mais divertida quando feita em grupo – a não ser que você seja um ermitão de carteirinha. Há muitas famílias que passarinham, às vezes com três gerações na mesma trilha.  Turmas de amigos também são comuns. Na sua cidade, no seu bairro, é bem possível que você encontre outros observadores. Às vezes eles se reúnem em clubes. Procure – ou faça –  a sua turma.

8) Volte ao mesmo lugar – Há aves que escolhem um lugar para viver e ficam por perto a vida toda. Outras estão sempre de passagem, pois param apenas um tempo (às vezes alguns meses, às vezes somente algumas horas) em meio à migração. Por causa disso, vale a pena voltar em diferentes épocas do ano a um mesmo lugar, pois sempre há surpresas.

9) Fique longe de ninhos – Sim, você pode observá-los, mas a uma distância segura. Nada de pegar uma escada para ver os ovinhos ou filhotinhos de perto. Mexer, então, nem pensar. E nem tocar o playback (reprodução do canto de uma ave, usado para atraí-la) nas proximidades. As aves são muito sensíveis quando estão nesta situação, e você pode acabar produzindo órfãos, mesmo sem querer.

10) Compartilhe a informação – Um dos aspectos mais incríveis da observação de aves é que você pode se divertir e contribuir com a ciência ao mesmo tempo. Compartilhe suas listas em sites como ebird.org ou taxeus.com.br e ajude a formar os mapas de ocorrência das espécies – isso vai dar uma baita mão aos pesquisadores de todo o mundo.

Águia-pescadora, espécie migratória – Foto: Zé Edu Camargo

Alguns links úteis:

www.wikiaves.com.br – site sobre identificação de aves brasileiras, como fotos e sons de nossas espécies, fórus de discussão e diversas páginas com informações úteis.

www.ebird.org – página do Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell com um banco de dados colaborativo sobre as aves de todo o mundo. O site acaba de ganhar uma versão em português: http://ebird.org/content/brasil/

www.xeno-canto.org – uma base de dados com sons de aves de todo o mundo.

www.taxeus.com.br – site colaborativo para registros de aves, mamíferos e anfíbios do Brasil.

http://virtude-ag.com/ – site sobre observação de fauna e fotografia, com informações úteis, roteiros, notícias e artigos.

http://bonitobirdwatching.blogspot.com.br/ – blog da bióloga Tietta Pivatto, com muita informação sobre as nossas aves e o turismo de observação.

www.avistarbrasil.com.br – site da série de eventos Avistar, que ocorre em várias cidades brasileiras durante o ano, reunindo milhares de observadores, destinos de observação e empresas do setor.

http://revistapassarinhando.com.br/ – a primeira revista eletrônica sobre observação de aves no Brasil, pode ser lida no PC, em tablets e nos smartphones.

 

Livro primoroso reúne todos os papagaios, araras e periquitos do Brasil

“Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios essas árvores; verdes uns, e pardos, outros, grandes e pequenos, de sorte que me parece que haverá muitos nesta terra”.

O trecho aí em cima vem da carta de Pero Vaz de Caminha, primeiro documento escrito sobre o Brasil, que já trazia algumas menções aos papagaios e periquitos. E, ao longo de nossa história, do Zé Carioca ao filme Rio, eles sempre estiveram associados à nossa imagem. Mas, apesar desta presença marcante, não eram abundantes os estudos e fontes de informação sobre as quase 100 espécies de psitacídeos que ocorrem em território nacional. Um parêntese: psitacídeo é uma palavra estranha mas de uso comum entre os biólogos para indicar papagaios e periquitos, em uma referência à família Psittacidae, que inclui nossos papagaios, periquitos, maitacas, araras, tiribas e maracanãs. Agora, o livro (mas o mais adequado seria dizer livrão, pela sua importância) Terra Papagalli vem cobrir com maestria muitas lacunas no nosso conhecimento destas aves. Obra de referência, mas que tem no visual e no cuidado gráfico um elemento fundamental, a obra traz as ilustrações do artista Eduardo Brettas (veja no final do post) em perfeita sintonia com o texto do pesquisador Luis Fabio Silveira, curador da coleção de ornitologia do Museu de Zoologia da USP. Um livro para apreciar como obra de arte e consultar como obra de referência. O lançamento ocorre no dia 9 de dezembro em São Paulo. Mais informações no book trailer:

Ilustração de Eduardo Brettas para o livro Terra Papagalli