Month: January 2017

Cientistas avançam no esforço pela conservação do mutum-de-alagoas

unnamed
Mutum-de-alagoas: a caminho da reintrodução na natureza. Foto: Luís Fábio Silveira
Considerado extinto na natureza, o mutum-de-alagoas (Pauxi mitu) tem uma chance de voltar a ocupar trechos da Mata Atlântica do litoral nordestino. Um programa que envolve esforços de governos, de universidades e da sociedade civil pretende reintroduzir a ave em seu hábitat natural, a partir de espécimes que sobrevivem em cativeiro. Graças ao trabalho de criadores, uma pequena população de mutum-de-alagoas foi formada para o fim de reintrodução, com descendentes de indivíduos capturados na década de 1980.
No entanto, havia uma pedra no meio do caminho. Por vários motivos, ao longo do tempo houve casos de hibridização entre o mutum-de-alagoas e outra espécie, o mutum-cavalo (Pauxi tuberosa). E os pesquisadores que se dedicam à reintrodução tinham que separar os híbridos, garantindo que somente os mutuns-de-alagoas fossem reintroduzidos. A olho nu, no entanto, essa separação nem sempre é possível. Começou então uma intensa pesquisa genética para fazer a separação, usando diversas técnicas, num verdadeiro quebra-cabeças. O trabalho, publicado na revista científica Plos One pela equipe dos Drs. Mercival Francisco, da Universidade Federal de São Carlos, e Luís Fábio Silveira, do Museu de Zoologia da USP, conseguiu apurar uma população de 66 mutuns-de-lagoas puros (33 fêmeas e 33 machos) entre os 148 espécimes analisados. Assim, mais uma importante etapa para a reintrodução na espécie na natureza foi vencida. Ainda há um longo trabalho pela frente, mas os resultados animam as esperanças de que possamos ver de novo um dia a espécie em vida livre nas matas remanescentes de Alagoas e Pernambuco. Leia mais sobre o assunto no excelente artigo da revista Pesquisa Fapesp.

Estudo mapeia aves não-nativas em todo o mundo

Sitio_Jul_2016_39
Pardal, espécie introduzida que se adaptou bem nos ambiente urbanos do Brasil. Foto: Zé Edu Camargo

Chamar uma ave de “invasora” não é só tecnicamente discutível. Também traz uma carga negativa – e as aves na maioria das vezes não escolheram ser introduzidas em um ambiente diferente daquele em que viviam. De todo modo, algumas encontram ótimas condições (oferta de alimento, ausência de competição ou de predadores naturais) e desenvolvem grandes populações em lugares onde não ocorriam. No Brasil, um exemplo fácil é o do pardal – ave europeia que se espalhou pelas cidades de todo o país, após ser introduzida – de propósito ou por acaso (na carona de navios), tanto faz. Agora um estudo publicado na revista Plos Biology mapeia os casos de introdução de espécies do ano 1500 ao 2000. E traz algumas conclusões muito interessantes. O fluxo de introduções aumentou em demasia após 1950, provavelmente em função do desenvolvimento do comércio de animais de estimação. E somente entre 1987 e 2000 ocorreram mais introduções do que nos 403 anos anteriores. Para entender o estudo, leia a reportagem publicada no site da UCL (University College London), instituição ao qual pertencem os pesquisadores que desenvolveram o estudo (junto com diversas outras instituições pelo mundo).

species richness map
Mapa de introduções – reprodução
Tabatinga2016_1
O periquito-de-encontro-amarelo, vítima do tráfico para abastecer os mercados de animais de estimação, foi introduzido em áreas da América do Norte onde não ocorria antes. Foto: Zé Edu Camargo

Ganhadores do festival de listas de fim de ano

20170102_092251

Foram mais de 450 aves observadas no dia 30 de dezembro. Computados os dados, fizemos o sorteio de três participantes, que receberão lindos livros. Os nomes estão abaixo. Parabéns aos sorteados! Entraremos em contato através do e-bird.

  • Cauã Menezes
  • Cecilia Licariao
  • Uêdson Rêgo

Para ver em detalhes as listas e resultados do festival é só acessar este link.

 

Acompanhe o resultado das mega-listas da virada!

sitio_out_2016_29-2

Fazer listas das aves observadas é a melhor maneira de contribuir com os ornitólogos e, por consequência, com a conservação. A internet revolucionou muitos campos da pesquisa – e o apoio que o conteúdo colaborativo trouxe aos estudos de migrações, de ocorrência de espécies ou de comportamento populacional é o exemplo mais bem-acabado disso. Aqui no Brasil vem aumentando o número de pessoas que vêem na observação de aves uma chance de fazer a diferença. E aos poucos a diferença vem sendo feita. No útimo dia 30, o blog, junto com o Avistar Brasil e o Observatório de Aves do Instituto Butantan provocou os observadores a postar listas de espécies avistadas no dia 30 de dezembro. E todos têm até do dia 8 de janeiro para postar as listas no site e-bird. Se você participou e quer acompanhar o resultado, basta clicar neste link. Em breve vamos sortear alguns livros entre os participantes. Mas a brincadeira não se resume ao dia 30. Você já começou seu big year 2017? Vamos lá!