Month: September 2014

A nova torre do Jardim Botânico de Manaus

Nascer do sol no alto da torre – Foto: Zé Edu Camargo

Uma área de mata conservada, com 100 km2, no coração da Amazônia, já seria um lugar interessante o suficiente para os observadores de aves. Mas a reserva Ducke (onde fica o Jardim Botânico de Manaus) vai além: nos limites do perímetro urbano da capital do Amazonas, ela tem fácil acesso. E agora permite aos birders uma experiência que só alguns hotéis de selva ofereciam: uma torre novinha, acima da copa das árvores.

Na Amazônia, torres de observação mostram-se imprescindíveis. Como o dossel da floresta (a copa das árvores) é o habitat mais rico para aves e diversos outros animais, o birding é muito limitado no nível do chão. Uma torre como a de Manaus é ouro puro, ainda mais instalada em uma reserva de mata enorme como a Ducke. E o efeito será sentido não só entre os birders, mas também no número de registros novos e (por que não?) inéditos. Além de permitir a iniciação de um grande número de novos observadores locais. Por fim, também vai trazer aos observadores de outros lugares do país e do exterior uma opção que Manaus ainda não tinha.  Para conhecer a nova torre o ideal é marcar com antecedência com um guia autorizado pelo MUSA (Museu da Amazônia, que administra o Jardim Botânico).

Observadores podem conseguir autorização para entrar mais cedo (os visitantes comuns formam grupos para visitas guiadas a partir de 8h). A bióloga Marina Maximiano (marimaxbio@gmail.com) é um dos guias do museu que pode levar observadores à torre.

Saíra-negaça – Foto: Zé Edu Camargo
Arapaçu-galinha – Foto: Zé Edu Camargo

Limpa-folha-do-nordeste: a última cena de uma espécie extinta


 

No vídeo acima você pode ver o que é provavelmente o último indivíduo de uma espécie, o Philydor novaesi (limpa-folha-do-nordeste). A cena, capturada pela lente do fotógrafo e ornitólogo Ciro Albano, foi gravada em 2011. Desde então, nenhuma ave da espécie foi vista ou ouvida. Uma publicação recente coordenada pelo ornitólogo Luis Fabio Silveira, do Museu de Zoologia da USP, coloca o limpa-folha-do-nordeste em uma lista de três aves extintas no Brasil, todas endêmicas da mata Atlântica nordestina (leia mais no http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/08/08/ornitologos-documentam-extincao-de-tres-aves-endemicas-nordeste/) . Além dele, não há mais notícias do caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum) e do gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti). São as primeiras aves declaradas extintas no Brasil desde o século XIX. A corrida (e a torcida) agora é para que sejam as últimas no século XXI. Mais de 150 espécies constam da lista de aves criticamente ameaçadas no país.

Limpa-folha-do-Nordeste – Foto: Ciro Albano