Month: July 2017

Ouroboros, aves de Shakespeare, a música de Ottorino Respighi e o Butantan no meio disso tudo

Ouroboros em um manuscrito grego. Reprodução: Wikipedia.

 

Ouroboros. Já ouviu essa palavra? Ela traduz uma ilustração – a serpente que morde a própria cauda, formando um círculo. E também um conceito de eternidade, de fluxo contínuo, de permanente renovação. No Brasil, falou em serpente, lembramos do Instituto Butantan. E a renovação que o Butantan nos traz hoje é o #vempassarinhar. Essa hashtag representa uma iniciativa do Observatório de Aves do instituto – levar as pessoas em uma visita guiada para ver aves. Começou tímida, com uma visita por mês na mata do próprio Butantan, em São Paulo. E hoje já se espalhou por vários estados do país, em parques nacionais, parques urbanos e outras áreas verdes. “Um toque da natureza faz todo mundo ser da família”, diz a frase de Shakespeare (uma tradução livre para one touch of nature makes the whole world kin).

Deu ruim, William

Shakespeare, aliás, usou os passarinhos em diversas passagens de seus escritos. Essa presença era tão constante que estimulou uma das maiores catástrofes naturais do mundo moderno. No século XIX, um apaixonado pela obra do bardo teve a (má) ideia de importar todas as aves citadas nas suas obras da Europa para os Estados Unidos. Assim, entre outras espécies, trouxe casais de estorninhos da Inglaterra para o Central Park, em Nova York. O resultado? Os estorninhos dominaram os EUA, causando sérios prejuízos econômicos (são o terror dos aeroportos, porque formam bandos imensos) e colocando a avifauna local em perigo (porque disputam alimento e local para ninho com as espécies nativas).

E da capo

A lista dos artistas que usaram e usam aves como inspiração passa por Shakespeare, mas vai de Esopo a Paul McCartney e continua crescendo a cada dia. Na música clássica, no entanto, uma das mais inspiradas obras que têm aves como tema é a suíte em cinco movimentos Gli Ucelli (Os Pássaros) de Ottorino Respighi. Além do prelúdio, ele usa como referência a pomba, o rouxinol, a galinha e o cuco. Em 1927 Respighi veio ao Brasil. A viagem rendeu três movimentos de outra suíte, Impressões Brasileiras. Um deles é resultado de uma visita em São Paulo. Com a esposa, cantora lírica, Respighi foi ao… Instituto Butantan. A peça (chamada Butantan) é tensa, com um clima de suspense – diz a lenda que o compositor ficou atarantado com o lugar e suas serpentes. Opa, alguém falou em serpente? Ouroboros, mizifi, ouroboros.

 

Observadores durante o #vempassarinhar no Instituto Butantan. Foto: Observatório de Aves – Instituto Butantan/Divulgação

 

Jararaca-ilhoa no Museu Biológico do Butantan

Você tem um hotel, pousada ou reserva? Participe do censo de destinos!

 

O pessoal do Avistar Brasil, em parceria com outras entidades ligadas à observação de aves, está organizando o segundo Censo de Destinos de Observação. A ideia é desenhar um quadro de como a atividade está se denvolvendo no país, com a ajuda de proprietários de hotéis, pousadas, campings e áreas com portencial para receber birdwatchers. Então, se você é empresário ou gerencia um empreendimento que já recebeu/quer receber observadores, ajude a iniciativa. É só responder o questionário clicando no link aqui.