Month: April 2015

Dez bons motivos para ir ao Avistar Brasil 2015

Maria-preta-de-penacho – Foto Zé Edu Camargo

Este ano o Avistar – mais importante evento de observação de aves no país – mostra uma novidade muito bacana, logo de cara: o lugar onde vai ocorrer. De 15 a 17 de maio (de sexta a domingo), observadores do país todo vão se reunir no Instituto Butantan, em São Paulo. Serão três dias de um concorrido congresso (com palestras de especialistas brasileiros e do exterior), uma feira com destinos de birding, hotéis, editoras de livros, produtores de equipamentos e outros expositores ligados à atividade. E muitas atividades paralelas para todas as idades. O Butantan, que por si só já é uma excelente opção de lazer nos fins de semana, vai estar ainda mais atrativo. Para facilitar a sua vida, elegemos dez grandes atrações dessa edição. Mas vale muito a pena dar um pulo no site do evento e ver a programação completa.

Um dinossauro em seu jardim 
Pirula – Paleontólogo e  autor de videos de divulgação científica
Vai explicar porque observamos dinossauros ao invés de aves
Diários de Campo
Santos D’Angelo – botânico e ornitólogo 
Apresenta sua técnica de registro de aves, baseada em desenhos feitos em cadernetas campo
Um Novo Olhar Sobre As Cidades
Fernando Fernandez   – especialista em Biologia da Conservação
Fala da  importância da observação da fauna urbana
Internet e Observação, a Ciência que Podemos Produzir 
Atila Iamarino – Canal Nerdologia do Youtube
Aproxima a ciencia cidadã e a internet
Arte Naturalista no Brasil
Dante Teixeira – ornitólogo e especialista em arte naturalista do Brasil Holandês 
Palestra sobre Arte Naturalista seguida de visita guiada ao Acervo Brasiliana no Itaú Cultural
Vida de Guia
Ciro Albano – ornitólogo e guia de observação de aves
Conta histórias de 10 anos como guia de observação, suas experiências e conquistas
Aves do Cristalino
Edson Endrigo – fotógrafo e guia de observação de aves
Lançamento do livro Aves do Cristalino, sobre a avifauna do Parque Estadual do Cristalino (MT).
História Natural de Aves
Ivan Sazima  – Zoólogo e naturalista de répteis, aves, mamíferos e interações com plantas
Fala de um ponto de vista científico, em linguagem simples, sobre como as aves vivem
Um olho no Céu, outro na terra
Giuseppe Puorto – Herpetólogo
Vai ensinar aos observadores de aves como evitar acidentes com serpentes, e o que fazer caso ocorram.
Lobo-guará e Inhambu-carapé, duas espécies ameaçadas
Marcos Amend – fotógrafo e conservacionista
O fotógrafo explica como conseguiu a imagem de uma espécie muito rara em uma situação mais rara ainda
E, de bônus:
Exposição Luis Claudio Marigo 
Obras do grande mestre da fotografia de natureza, que nos deixou em 2014.
Também haverá apresentações artísticas, como shows do Coralusp e da cantora Renata Pizi (uma apresentação só com músicas que falam de aves), além de atividades de observação na própria área verde do Butantan. Um programa imperdível para toda a família.

Casal viaja o Brasil passarinhando e educando

Uirapuru-laranja – Foto: Renato Rizzaro
Chifre-de-ouro – Foto: Renato Rizzaro

Há histórias tão ricas e vívidas que parecem ficção, enredo de filme, poesia – tudo junto e misturado. A trajetória do casal Renato Rizzaro e Gabriela Giovanka é assim. Com garra e ralação, transformaram uma área em RPPN, na Mata Atlântica de Santa Catarina: a Reserva Rio das Furnas.

Até que, em 2010, o sonho escorreu pelas encostas do morro – a área da reserva foi atingida por um deslizamento causado pelas chuvas. Desalojados por um tempo, eles resolveram colocar o pé na estrada. Daí nasceu o primeiro projeto de educação ambiental – de lá para cá já foram 34 mil quilômetros (quase uma volta ao mundo) pelas estradas do Brasil. Nas paradas, eles organizam a Roda de Passarinho, que ensina observação de aves às crianças de um modo muito divertido.

As viagens também já renderam cinco pôsteres sobre a avifauna dos nossos biomas – Mata Atlântica, Pampa, Amazônia, Pantanal e Cerrado. Para produzir este último eles visitaram lugares tão incríveis como a Chapada dos Veadeiros e a Serra da Canastra. Os deliciosos relatos de viagem renderam um blog, onde você também pode comprar os pôsteres – o dinheiro ajuda na divulgação da observação de aves, na conservação da Mata Atlântica (a reserva já está se regenerando após o acidente) e nos projetos futuros de viagem dos dois. A próxima aventura, aliás, começa ainda em 2015 – desta vez eles vão visitar a Caatinga, fechando assim a série dos biomas.

Poster Aves do Cerrado – Reprodução
Queixadas – Foto: Renato Rizzaro
Seriema – Foto: Renato Rizzaro
Chapada dos Veadeiros – Foto: Renato Rizzaro

 

Passarinhadas em maio no Sudeste, Nordeste e Sul

Pica-pau-dourado – Foto Zé Edu Camargo

Aos poucos o turismo de observação vai se firmando e ganhando corpo no Brasil. Além de hotéis especializados, já começam a surgir roteiros de fim de semana ou nos feriados prolongados em bons destinos de birding. No começo de maio há boas opções em três regiões do Brasil. No alto da Serra da Mantiqueira, a RPPN Alto Montana tem muitas espécies raras. É uma boa opção para quem está em São Paulo, no Rio ou em Minas. No Sul, a migração do papagaio-charão e as espécies endêmicas de Mata Atlântica são as atrações de um roteiro em Urupema, Santa Catarina. E na Chapada do Araripe (CE) as aves da caatinga são a grande atração – e também a chance de ver o raro e ameaçado soldadinho-do-araripe. As informações sobre os roteiros estão nos cartazes aí embaixo.

Concurso de fotografia no Brasil irá premiar imagens de aves ameaçadas de extinção

As 234 aves ameaçadas no país são o tema de um concurso de fotografia que já está com inscrições abertas. Iniciativa do Avistar Brasil em parceria com as ONGs brasileiras SAVE Brasil, Aquasis e Biodiversitas, a competição tem o patrocínio da American Bird Conservancy. As aves fazem parte da lista de animais ameaçados de extinção divulgada pelo ICMBio em 2014. As inscrições vão até o dia 05 de maio e há prêmios para os melhores colocados e para as menções honrosas. Para saber mais e fazer sua inscrição visite o site do concurso clicando aqui.

Como fazer um blind caseiro para observar aves

Saíra-amarela – Foto: Zé Edu Camargo
Você pode chamar de esconderijo, camuflagem, mocó. Mas o termo mais usado para designar um lugar de onde é possível observar animais sem ser notado é blind (palavra que em inglês pode ser um adjetivo – cego – ou um substantivo, que tem mais o sentido de enganação). O blind é um recurso muito usado por pesquisadores e observadores de fauna (infelizmente, também por caçadores) para conseguir maior aproximação de animais muito tímidos ou assustadiços no meio da mata. No entanto, você também pode fazer um no seu quintal ou no seu sítio para observar as aves mais de perto, principalmente se combiná-lo com um comedouro. Um pano camuflado já serve para esse fim. É um recurso interessante para mostrar as aves de perto às crianças e a pessoas com problema de locomoção. E também para treinar seus dotes fotográficos, simulando as situações que você vai ter em campo.
Fim-fim – Foto: Zé Edu Camargo
As fotos mostram um blind que fiz em Minas Gerais, com bons resultados. Aí embaixo, algumas observações.
– Se houver uma mata por perto, escolha um lugar próximo a ela. As chances de aparecer uma ave diferente e mais arredia são maiores. Mas vai funcionar mesmo em um quintal no meio da cidade.
– Um pano camuflado estendido entre duas árvores já foi o suficiente para criar o esconderijo. Como elas vinham da mata em frente, não me preocupei em tapar a visão de cima ou dos lados.
– Como “comedouro” usei somente um galho seco que encontrei caído. Coloquei algumas frutas (banana e mamão dão bons resultados) e procurei tirar os galhinhos menores que poderiam atrapalhar a linha de visão.
– É importantíssimo trocar as frutas pelo menos uma vez ao dia, mesmo que elas não tenham sido comidas por inteiro. As frutas podem abrigar microrganismos prejudiciais às aves depois de muito tempo expostas à luz e ao calor.
– Tente se aproximar do abrigo fora da linha de visão das aves e permaneça o mais quieto possível.
– No inverno as aves frequentam o comedouro com mais constância, pois a oferta de alimento diminui muito.
– Você pode também colocar bebedouros para beija-flores, mas não se esqueça de trocar a água com açúcar todos os dias.
No meu caso, tive sorte. Minutos após montar o comedouro já apareceram algumas aves – e consegui boas fotos da saíra-amarela e de um jovem fim-fim. Espero que você também tenha bons resultados!
Comedouro e blind – Foto: Zé Edu Camargo
Visão atrás do blind – Foto: Zé Edu Camargo