Month: December 2011

Onde observar aves em Brasília

 

Tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata). Foto Hugo Viana.

Quem chega ao Distrito Federal de avião percebe sem esforço: a cidade é cercada por extensos trechos de mata. Assim como o Plano Piloto, eles também fizeram parte do projeto da capital. Servem para proteger os mananciais de água. Sorte dos birdwatchers que moram em Brasília, e também daqueles que conseguem algumas horas nas viagens a trabalho por lá, pois tudo é muito perto. A meu pedido, o fotógrafo Hugo Viana fez uma seleção dos melhores lugares (abertos à visitação) para se observar aves nos arredores:

1) Parque Nacional de Brasília (PARNA-DF)
2) Hermida Dom Bosco
3) Parque Olhos D’água
4) Floresta Nacional de Brasília (FLONA-DF)
5) Parque da Cidade
6) Jardim Botânico

Hugo é um dos participantes de um belo projeto no DF, chamado Oito Fotógrafos e Um Destino, junto com Bertrando Campos, Evando Lopes, João Martins, Margi Moss, Roberto Aguiar, Rodrigo D’Alessandro e Tancredo Maia. Eles fazem o levantamento da avifauna na Estação Ecológica Águas Emendadas, nos arredores de Brasília. São do Hugo Viana as fotos que acompanham este post, todas de espécies registradas nos arredores da cidade.

Brasília está em uma autêntica área de cerrado, bioma muito ameaçado no Brasil. O ano de 2011 foi especialmente difícil, principalmente por causa das queimadas, em função da prolongada estiagem que afetou a região. Mas o verão chegou trazendo chuva, e agora é uma boa época para tentar fotos de aves endêmicas do cerrado, como o tapaculo-de-colarinho e a campainha-azul.

Balança-rabo-de-máscara (Polioptila dumicola), Abertura F5, Velocidade 1/400, Distância Focal 500 mm. Foto Hugo Viana.
Campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens), Abertura F6.3, Velocidade 1/800, Distância Focal 500 mm. Foto Hugo Viana.
Sebinho-de-olho-de-ouro – Foto: Hugo Viana

 

Estalador (Corythopis delalandi) – Foto Hugo Viana.

O canto e o encanto

Sabiá-barranco. Foto Zé Edu Camargo

Uma pesquisa da Universidade de Surrey, na Inglaterra, quer estudar a influência do canto das aves no comportamento humano. Durante três anos, os pesquisadores irão fazer testes para medir alterações no humor e na criatividade, por exemplo, de pessoas expostas aos sons de pássaros. O mais interessante: pretendem reproduzir os testes em laboratório e também em saídas ao ar livre.

 

Onde observar aves na cidade de São Paulo?

Mesmo sem querer, qualquer paulistano já deve ter notado: de repente, no meio de uma praça qualquer da cidade, aperece uma ave incomum: um pica-pau, um passarinho multicor, ou mesmo uma ave de rapina. Isso tem explicação. Apesar de ter se tornado uma megalópole, com milhões de pessoas, a capital é rodeada por áreas de Mata Atlântica, algumas originais, outras reconstituídas. Assim, a diversidade é grande na maior cidade da América do Sul. Esse foi o tema de uma entrevista que dei no programa de rádio Planeta Eldorado,  comandado por Paulina Chamorro e Marcos Lauro (basta clicar no link). De quebra, muita música.

No programa, no entanto, esqueci de citar o meu lugar preferido em São Paulo para observar aves. É o Jardim Botânico, na Zona Sul, perto do Jardim Zoológico e do Zoo Safári. As razões são várias. Além de uma enorme quantidade de aves na mata, o Jardim Botânico também tem lagos que recebem muitas aves aquáticas, como marrecas e garças. Com sorte, você consegue ver até mesmo espécies não tão comuns, como o lindo pavó (Pyroderus scutatus), ou o tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus). Outros lugares excelentes na cidade são o Parque da Cantareira, a RPPN Curucutu, o Instituto Butantan e o velho e bom Parque do Ibirapuera. Mas desses eu vou falando em outros posts.

Periquito-rico no Parque do Ibirapuera – Foto Zé Edu Camargo

Novo censo traça perfil do birdwatcher brasileiro

O mercado brasileiro de observação de fauna (e de aves, em particular) cresce a olhos vistos. Hoje há muito mais hotéis especializados, guias, agências de viagem, fabricantes de equipamentos e cobertura da mídia do que dez anos atrás. Mas ainda falta informação sobre a mola propulsora disso tudo: o observador, o birdwatcher, o turista, o estudioso ou qualquer outro nome que você queira dar. Por isso é mais que bacana a inicitaiva do grupo Avistur, com o apoio de diversos portais e blogs especializados: o primeiro Censo Brasileiro de Observação de Aves. É uma pesquisa super fácil de responder (basta acessar esse o link, levei cinco minutos), que terá seus resultados abertos (ou seja, todos poderão consultar) a partir de maio. Claro, quanto mais gente responder, melhor. E não é preciso ser birdwatcher de carteirinha para fazer parte. Basta ter algum interesse no assunto.

Observador de aves em ação no Rio Cristalino, MT. Foto: Zé Edu Camargo

O passarinho do twitter

Campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens) – Foto: Zé Edu Camargo

 

Pra mim, é ele: azulzinho, com o bico amarelo, pequeno e com um nome popular mais que apropriado: campainha-azul. Ou Porphyrospiza caerulescens, se você preferir o nome científico. Essa é a plumagem do macho – as fêmeas têm cores mais discretas, como é comum acontecer entre as aves.

Escolhi a campainha-azul para inaugurar o blog, que pretende abraçar (e abarcar) diversos aspectos da observação de aves, ou birdwatching. Mais especificamente, quero falar da fotografia, uma face muito associada a esta atividade, principalmente no Brasil.

Você verá aqui fotos de profissionais (como os fotógrafos da National que você encontra no blog Por Trás das Lentes – todos têm fantásticas fotos de aves), mas também de amadores que não passam um fim de semana, na cidade ou no campo, sem sair em busca de um clique perfeito. Dicas de equipamentos, livros, filmes, guias, bons lugares para o birding (a palavra em português também é deliciosa, e lembra Mario Quintana: passarinhar). Como o lugar em que fiz esta foto, o Parque Estadual da Serra de Caldas, um enclave de cerrado entre Caldas Novas e Rio Quente, em Goiás.

Mais pra frente pretendo voltar a falar desse parque, com detalhes das trilhas e das aves que lá gorjeiam. Por enquanto, fico por aqui. Aproveitando o mote para indicar o twitter do blog: @BrasildasAves.

P.S: A ilustração do passarinho do twitter, na verdade, é criação de um artista plástico chamado Simon Oxley. Aqui você lê (em inglês) uma entrevista com ele, feita pelo jornal The Washington Post: http://migre.me/5Ll4Z